Forças Armadas fazem mega operação em Niterói

A cidade de Niterói recebeu na manhã desta quarta-feira (16) um “choque integrado de segurança”, com a deflagração da Operação Dose Dupla, envolvendo mais de três mil agentes, sendo 2.600 das Forças Armadas – 1.588 homens do Exército, 817 da Marinha, 200 homens da Aeronáutica –, e 250 policiais militares, além de policiais civis de praticamente todas as delegacias do estado. A megaoperação pegou a população e muitos criminosos de surpresa. Várias comunidades situadas nas zonas Norte, Sul e Região de Pendotiba foram ocupadas. Houve intensa troca de tiros em algumas localidades, mas apesar do “fator surpresa”, com as tropas ocupando as localidades por volta das 5 horas, a chegada foi muito bem-vinda pela população. Além de militares da Forças Armadas, estiveram em ação 40 equipes do Departamento Geral de Polícia do Interior (DGPI), 40 equipes da Direção Geral da Polícia Civil (DGPC), Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e Coordenação de Recursos Especiais (Core).

Forças Armadas

As forças integradas de segurança concentraram seu poder de fogo nos complexos de comunidades da Ititioca, Igrejinha, Atalaia, Sapê e Cantagalo (em Pendotiba), Preventório, em Charitas, e Grota do Surucucu, em São Francisco (ambas na Zona Sul), além de Caramujo e Cubango (Zona Norte). Na Ititioca e Caramujo houve confronto e, na primeira localidade, um militar das Forças Armadas foi ferido por um tiro na mão, de acordo com informes, sem maior gravidade. Até o início da tarde de ontem boa parte dos 26 Mandados de Prisão expedidos pela Justiça contra criminosos já haviam sido cumpridos em Niterói, com 13 presos sendo conduzidos para a base de operações integradas, montada na sede do Departamento de Polícia do Interior (DGPI), no bairro São Lourenço. Outros cinco mandados foram cumpridos para acusados que já estavam presos e três menores foram apreendidos. Entre presos da manhã de ontem estavam, por exemplo, Cosme Chagas da Silva, apontado pela polícia como o “número 2” na hierarquia do tráfico na comunidade do Atalaia, e Léo da Baiana, conhecido como Narinem, acusado de ser um dos homens de frente na Igrejinha. Outro objetivo da megaoperação foi o cumprimento de 34 Mandados de Busca e Apreensão. Até o tráfego na Ponte Rio-Niterói chegou a ser interrompido durante a madrugada para o deslocamento das tropas em direção a Niterói. O espaço aéreo na cidade foi bloqueado por ordem da Secretaria de Segurança Pública.

A eficácia da megaoperação foi garantida ao longo de cerca de seis meses de trabalho de investigação e levantamento realizado pelas polícias Civil e Militar. As duas corporações abriram caminho durante a ação, com as Forças Armadas ocupando a área. Veículos blindados e helicópteros deram suporte à ação e ao trabalho de mapeamento. Nas comunidades da Ititioca, Igrejinha e Caramujo ocorreram confrontos, o que não impediu que prisões fossem efetuadas e os acusados fossem conduzidos inicialmente para a sede da DGPI. De lá foram autuados nas delegacias da região.

Forças Armadas

Prisões foram efetuadas nas comunidades da Igrejinha, Ititioca, Morro do Bumba, e Complexo do Caramujo, onde os Mandados de Prisão foram cumpridos. Também na Zona Norte (Complexo do Caramujo), onde os índices de roubos de veículos são alarmantes, pelo menos três do total de cinco veículos foram apreendidos pelos agentes. Dentro de um deles foram encontradas 15 placas de vários pontos do estado que, segundo informes, seriam trocadas a cada vez que os carros roubados eram utilizados na prática de assaltos na cidade. Além dos cinco veículos, cargas de entorpecentes e uma motocicleta foram apreendidas.

Operação exitosa para polícia
A Operação Dose Dupla foi uma alusão a segunda operação do tipo, com agentes de segurança estaduais, realizada desde a chegada das Forças Armadas ao Rio. Na primeira, a Operação Onerat, com a presença das Forças Armadas, o foco dos agentes foi o combate a incidência dos roubos de cargas. Na ocasião, no dia 5 de agosto, 15 prisões foram efetuadas, além de três pistolas e duas granadas foram apreendidas, no Complexo do Lins, Zona Norte do Rio. Dessa vez, a ênfase foi a repressão ao tráfico de drogas. Além da Ponte Rio-Niterói, outras vias que tiveram o trânsito interrompido devido a megaoperação de ontem foram a Estrada da Cachoeira, que liga as zonas Sul à Oceânica de Niterói, além da Praça Renascença, e vias de acesso ao complexo de favelas do Caramujo. Nem pedestres e motoristas foram poupados do trabalho de revista realizado por militares e policiais civis.

Ainda no fim da manhã de ontem, o porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Roberto Itamar, informou através do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) que a operação não teria hora para terminar, enquanto todos os Mandados de Prisão não fossem cumpridos na cidade. “É muito importante o cerco nessas comunidades, pois impede que os principais alvos possam se evadir dessas áreas. O apoio que está sendo dado nesta operação, assim como foi na outra no Complexo do Lins, é de um grande cerco que permite que as forças policiais cumpram seu dever previsto na Constituição. As Forças Armadas colaboram. Assim que terminada a tarefa da polícia militar e civil, o cerco também se desfará”, afirmou.

Ainda na tarde desta quarta, a Operação Dose Dupla já havia apreendido carregadores para fuzil, dois coletes e um quilo de maconha. Segundo a Polícia Civil, a ação foi desencadeada após mais de dez mil horas de intercepção telefônica e seis meses de investigações. “A investigação foca o indivíduo. O que vai se encontrar com o indivíduo, seja o entorpecente, uma carga roubada, cativeiro, arma vem a reboque do indivíduo. O êxito da operação foi ter conseguido cumprido os objetivos, prender os indivíduos”, afirmou o delegado Celso Couto, diretor de Polícia do Interior. “Nós ocupamos hoje comunidades em que não havia presença do estado. Fizemos um trabalho que não fica por aqui. Outras operações virão. A operação hoje foi exitosa”, afirmou o titular da 79ª DP (Jurujuba), Cláudio Áscoli.

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