Força Tarefa promete reforçar segurança nos bairros

A região do Centro de Niterói ganhou reforço de policiais militares para intensificar a segurança no local, que foi palco, no último sábado (07), de um crime que chocou os niteroienses. Na cocasião, dois irmãos gêmeos foram esfaqueados por moradores de rua durante a madrugada após uma discussão. O comandante do 12º BPM Niterói, coronel Márcio Rocha, pretende desarticular esses moradores de rua que andam livremente armados, com facas e com drogas pelas ruas da cidade. E para isso foi montada uma Força Tarefa com representantes de órgãos de segurança do município com foco, além do Centro, em São Domingos e Icaraí.

A reunião aconteceu na tarde de terça-feira (10) na própria sede do batalhão, no Centro de Niterói, e contou com representantes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos de Niterói (SASDH), Conselho Tutelar de Niterói e delegado da 77º DP (Icaraí), representando a policia civil.

“Foi definida a criação de uma Força Tarefa em defesa das pessoas em situação de rua em Niterói. Ao longo dos próximos dias vamos buscar subsídios e informações necessárias relativas sobre essa questão. Vamos executar algumas operações conjuntas de atenção no mais curto prazo possível”, explicou o comandante.

O trabalho do grupo será de atenção, assistência, cuidado e interesse da segurança e da ordem pública na cidade. “É um interesse social dessas pessoas que muitas vezes estão em situação de vulnerabilidade e de risco, por isso tantos órgãos envolvidos para abordagens específicas”, completou Márcio Rocha.

O conselheiro tutelar da infância e juventude, Rafael Lírio, explicou que atualmente cerca de 50 crianças e adolescentes moram nas ruas de Niterói e que a maioria deles são oriundos de outros lugares como Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Baixada do Rio de Janeiro. Rafael contou que na cidade existe um abrigo para meninas (Lisaura Ruas) em Itaipu, na Região Oceânica, um para meninos (Paulo Freire) no Barreto e três para adultos no Centro (Casa de Acolhimento Florestan Fernandes, que oferece 50 vagas para homens adultos, o Centro de Acolhimento Lélia Gonzalez, com 50 vagas para mulheres e famílias, o Centro de Acolhimento Arthur Bispo do Rosário, com 30 vagas para homens adultos, segundo Prefeitura de Niterói).

“A abordagem do conselho é de fiscalização e, se por ventura necessitar, de acolhimento através de encaminhamento. Existe uma resistência para as pessoas irem para os abrigos já que ‘na rua não tem regra’. Infelizmente existe essa dificuldade e sempre existirá”, explicou.

Crime
Questionado sobre o caso dos jovens esfaqueados no Centro, em frente ao Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade Federal Fluminense (UFF), o comandante foi taxativo.

“Reforçamos a presença da polícia mediante os indicadores criminais do bairro, por outro lado intensificamos as abordagens dessas poessoas que estão em situação de rua. Justamente o que nos chamou atenção foi a maneira contundente como essas pessoas agiram contra as vítimas, esfaqueando-as quase até a morte. Se tiverem à disposição armas e drogas isso potencializa a violência”, concluiu Márcio Rocha.

Vítimas
Jorge Magalhães Vale, 25 anos, deu entrada no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN) com lesão no abdômen por arma branca. Segundo o hospital ele permanece no Centro de Terapia Intensiva (CTI), sedado, respirando com ajuda de aparelhos e apesar de mais estável, seu quadro permanece grave. Seu irmão gêmeo, Fernando Magalhães Valle, teve alta hospitalar na manhã de ontem.

Moradores de rua
De acordo com nota da Prefeitura de Niterói a ida e permanência nas casas de acolhimento não é compulsória no Brasil. Educadores Sociais da SASDH realizam, em média, 500 abordagens mensais, onde buscam sensibilizar pessoas em situação de rua para irem para o Centro Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop). Em média, 230 pessoas são encaminhadas, mensalmente, ao local. No Centro Pop, os usuários do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) têm atendimento psicossocial e dá-se início a processos como a reinserção social e familiar, assim como o recambiamento para seus municípios de origem. Algumas pessoas permanecem nos Centros de Acolhimento até a construção da sua autonomia. No Centro Pop, os usuários que aceitam participar da reinserção recebem ainda duas refeições diárias (café da manhã e almoço) e todo o suporte para higiene pessoal.

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