Força-tarefa fiscaliza postos de combustíveis depois de rumores em Niterói

Raquel Morais –

Após denúncia, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou, na sexta-feira (14), uma verdadeira força-tarefa em Niterói. O objetivo foi apurar as possíveis irregularidades nos combustíveis em 13 postos da cidade. Na próxima semana outros municípios do Leste Fluminense, como Maricá, Itaboraí e São Gonçalo devem passar pelo pente fino da reguladora. Participaram também a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, Procon e o Ministério Público.

Quatro equipes da ANP percorreram os postos do Centro de Niterói e Itaipu, na Região Oceânica, recolhendo amostras de todas as bombas e combustíveis: etanol, diesel e gasolina comum e aditivada. “É importante que o consumidor saiba que a conferência do combustível e a exigência da nota fiscal é um direito. Niterói é uma cidade com baixo índice de reprovação de combustível. Porém recebemos através da imprensa a denúncia da possível adulteração. Por conta disso estamos realizando uma grande fiscalização hoje [sexta-feira]”, explicou o coordenador do Núcleo de Fiscalização do Rio de Janeiro da ANP, Ary Bello.

Dados da ANP apontam que em todo o país apenas 2% de irregularidades são encontradas, sendo o combustível brasileiro considerado de excelência, com padrões internacionais. “A ANP em 2017 fez mais de 150 testes e não identificamos nada. Cabe ao poder público fiscalizar e direcionamos essas equipes para tentar entender esse caso. Isso vai gerar uma investigação e a operação acontecerá até cessar as causas. O final do processo administrativo pode gerar uma interdição, multa ou outra ação cabível nos estabelecimentos, caso seja identificado algum problema”, apontou Ary.

O motorista de Uber, Vitor Augusto, de 29 anos, não sabia que o teste do combustível era um direito do consumidor. “Sinceramente eu vou ter prazer de ir em um posto pedir um teste. O meu carro estoura muito e fica com dificuldade para dar partida quando abasteço lá”, explicou o jovem, que não citou o posto em questão.

O instrutor de autoescola Jean Marcel, de 35 anos, comentou que no caso da motocicleta o problema aparece quase instantaneamente. “A moto trabalha com dois tempos e muitas vezes ela nem pega no próprio posto. Achei muito bom esse trabalho dos órgãos e será algo que vou passar a fazer com frequência, pedir o teste antes”, apontou.

Os postos Canteiro das Barcas e no Centro Automotivo Passo de Souza Ltda, ambos no Centro, não apresentaram irregularidades, assim como os 11 postos também vistoriados. Ao fazer as conferências foram emitidos certificados que foram assinados pelo gerente e proprietário dos postos. “Sempre trabalhamos em ordem com total tranquilidade do combustível que vendemos e da nossa documentação. Antes de descarregar o combustível no posto é feito um teste de qualidade. Compramos dia sim dia não cerca de quatro a seis mil litros. Cerca de 90% dos clientes não pedem os testes antes do abastecimento”, comentou Leonardo Vieira, gerente do posto Canteiro das Barcas.

Sob a bandeira Ipiranga, o Centro Automotivo Passo de Souza Ltda também passou no teste. “Percebi uma mudança nos clientes depois desses áudios que foram divulgados. Senti que os motoristas estão com receio e preocupados”, comentou Jorge Luís, gerente há 21 anos do espaço.
O teste da gasolina é feito por meio de análise visual e do percentual do etanol acrescido à gasolina. A cada 50 ml de gasolina é colocado 50 ml de água. A água vai extrair o etanol da gasolina e vai aumentar essa quantidade da água, que deve ficar entre 62,5ml e 64ml, já que a gasolina deve ter 27% de etanol, podendo variar entre 25% a 29%. “Qualquer adulteração o percentual é alterado na hora. Qualquer milímetro a mais já é caso para ser analisado”, apontou Ary. Segundo o especialista, o teste do Etanol é feito com o densímetro para verificar o grau de pureza e o diesel através da análise visual da emulsificação.

Este ano, de janeiro a julho, a ANP realizou 117 ações de fiscalização em Niterói, gerando 14 autuações, sendo sete por qualidade, e três interdições. Ao longo de 2016, foram 181 ações de fiscalização, que resultaram em 43 autuações, sendo 36 por qualidade, e uma interdição.

ENTENDA O CASO
Na última semana diversos carros apresentaram problemas mecânicos e foram levados para as concessionárias pelos proprietários, como Renault, Peugeot, Volkswagem, Honda, Hyundai, entre outras. A maioria apresentava o mesmo problema: motor carbonizado. O alerta começou a ser exposto pelas redes sociais quando funcionários de grandes marcas relataram os problemas enfrentados no interior das oficinas. O Sindestado-RJ, sindicato que representa dos donos de postos de combustíveis no Estado do Rio, pediu na ocasião, uma fiscalização da ANP para apurar o quanto antes as responsabilidades de uma crescente onda de comentários, nas redes sociais. A Petrobras Distribuidora informou que sua área técnica está em contato com concessionárias de Niterói e Região Metropolitana do Rio de Janeiro, verificando as informações veiculadas nas redes sociais. A companhia também enviou unidades móveis do programa de controle de qualidade “De Olho no Combustível” aos postos de sua bandeira em Niterói para realização de testes complementares.

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