Flordelis teria mandado filho assumir autoria de crime

“Ela mandou eu assumir a autoria do crime”. A frase foi dita por Lucas Cézar dos Santos de Souza, em referência à sua mãe, a deputada federal afastada do cargo pela justiça Flordelis (PSD-RJ), que teria lhe pedido para que assumisse a autoria da morte do pastor Anderson do Carmo. O jovem, prestou depoimento, na manhã desta segunda-feira (19), por meio de videoconferência, ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Lucas ainda disse que a intenção era que ele compartilhasse a autoria com outros dois irmãos, Alexander Felipe, o Luan, e Wagner Pimenta, o Misael. O pedido teria chegado a seu conhecimento por meio de cartas, enviadas por sua mãe, ao presídio Bandeira Stampa, onde chegou a ficar preso, ainda no ano de 2019, ao lado de seu irmão, Flávio dos Santos Rodrigues, também réu.

“Eu cheguei no presídio um dia depois do Flávio. Ele falou para mim, na cadeia onde a gente estava na mesma cela, que tinha um cara dentro da cadeia que a mulher conhecia minha mãe e que ia ajudar a gente lá dentro. Ela mandava carta com frequência para mim. Em uma delas, ela mandou eu assumir a autoria do crime”, declarou Lucas.

Lucas ainda afirmou que Flordelis justificou o pedido afirmando que a repercussão poderia atrapalhar sua carreira. Em troca, a deputada teria afirmado a seu filho que não o abandonaria, enquanto estivesse preso. O jovem afirma ter guardado a carta por algum tempo, entretanto, Flávio teria se apossado dos papéis e os rasgado em seguida.

“Senão eu podia atrapalhar ela, que estavam querendo prender ela, poderia prejudicar o Flávio. [Flordelis disse] que não ia me abandonar, ia dar assistência. Inclusive tinha a assinatura dela [na carta]. Essa carta eu guardei ela no presídio, quando fui na reconstituição, em setembro de 2019, que eu me neguei a fazer, estava guardada comigo e depois, quando fui procurar as cartas, fui perguntar ao Flávio e ele falou que tinha rasgado e jogado fora”, revelou.

O rapaz ainda confirmou a existência de um primeiro plano, para matar Anderson, no início de 2019. Ele afirma ter sido procurado por sua irmã adotiva, Marzy, também presa por envolvimento no homicídio. Na ocasião, a irmã teria oferecido R$ 10 mil a ele para que executasse o crime. Ele afirma que, mesmo que Flordelis não tenha participado de forma direta desse plano, ela teria conhecimento.

“Quem entrou em contato comigo pela primeira vez foi a Marzy, em janeiro de 2019. Ela me ofereceu um dinheiro, falou que o Anderson estava atrapalhando a vida dela, atrapalhando a vida da minha mãe e que ninguém na casa estava suportando mais ele. Ela preguntou se eu não dava (sic) um fim nele. Na época eu estava no tráfico de drogas, ela me ofereceu um valor de R$ 10 mil e alguns relógios, para mim dar (sic) um fim nele e me mandou alguns prints dela conversando com minha mãe. Tem um print pedindo para ela me convencer a fazer isso, simular um assalto para matar ele porque não estava mais suportando ele”, narrou Lucas, durante o depoimento.

Ele ainda revelou que Flávio foi o responsável por financiar a arma do crime. Lucas confirma ter feito o intermédio para a aquisição da pistola Bersa, usada no homicídio, em 16 de junho de 2019. Entretanto, o jovem disse que não sabia para qual finalidade seria usada. Ele também diz acreditar que Flávio não tinha direito para financiar a compra, já que, na época do crime, estaria trabalhando como motorista de aplicativo.

“Foi o Flávio [que financiou a arma], R$ 8,5 mil. Ele falou que tinha algumas pessoas que estavam ameaçando ele. E ele queria comprar para se defender. Me perguntou se eu sabia de alguém e eu sabia de um cara que tinha o contato de outro cara que vendia e eu dei o contato para o Flávio. De jeito nenhum [sobre Flávio ter condições financeiras para comprar a arma]. Ele trabalhava de motorista de aplicativo aqui no Rio”, declarou, o filho de Flordelis, enquanto depunha.

‘Ela nunca me pediu para levar carta alguma’

Andrea Santos Maia, também presa por ser ré no processo, é apontada pela investigação como “ponte” para que uma carta, na qual Lucas, supostamente, confessava a autoria do crime, chegasse às mãos de Flordelis. Andrea, é esposa do ex-policial Marcos Siqueira Costa, que chegou a ficar preso ao lado de Lucas e Flávia, no presídio Bandeira Stampa. Ela também foi ouvida, nesta segunda-feira, na parte da tarde, e negou as acusações.

“Eu conhecia a Flordelis como mãe do Flávio e do Lucas, na cadeia mesmo. Eu era visitante do meu esposo, que está preso há 15 anos em Bangu. Eu era líder comunitária e esse serviço era voluntário, não só meu, com outros parentes reunidos naquela unidade. Eu ajudava todos que não tinham carteirinha [de visitação] até que elas ficassem prontas. Ela nunca me pediu para levar carta alguma. Eu passo por um scanner corporal de alta precisão, não teria como entrar com uma carta volumosa sem ser detectado. Não sei como essa carta entrou”, disse.

Ambos, por estarem presos, participaram por videoconferência. Participaram dos depoimentos o deputado Alexandre Leite (DEM-RJ) e Paulo Azi (DEM-BA), presidente do Conselho de Ética. Também estiverem presentes os advogados Anderson Rollemberg e Janira Rocha, representando Flordelis. O próximo depoimento será da testemunha Roberta dos Santos, na próxima quinta-feira (22).

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