Flordelis se diz condenada pela mídia

A deputada Flordelis se pronunciou ontem (1) à noite em suas mídias sociais a respeito das acusações feitas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sobre ela ser a mandante do assassinato do seu marido Anderson do Carmo no ano passado e repercutidas pela mídia. Segundo a parlamentar, ela está sendo condenada antes do seu julgamento e afirma estar sem direito de defesa.

“Muito tem sido dito na mídia, das formas mais cruéis, sem que eu tenha qualquer chance de defesa. Estou sendo condenada, sem nem ter direito a julgamento. Eu não tenho o que esconder, eu não mandei matar o meu marido. Se alguém perdeu com a morte dele, fui eu, ele era tudo pra mim, meu companheiro que me ajudava e me guiava, inclusive em todos os aspectos práticos da vida. Olhem para a minha trajetória até agora, não há nada do que possam me acusar, sempre fui uma serva de Deus, vivendo o caminho que Ele traçou para mim. Antes de me sentenciarem, me deem o direito de defesa. Eu sei que a verdade vai prevalecer”, declarou Flordelis.

A deputada indicou ainda em suas mídias sociais a entrevista que concedeu ao jornalista Roberto Cabrini exibida na última segunda feira (31) no SBT.

Flordelis é ré no caso do homicídio do seu marido Anderson do Carmo. A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou a deputada como a mandante da morte do próprio marido. O pastor Anderson do Carmo foi morto a tiros na garagem de casa, em Pendotiba, na madrugada de 16 de junho de 2019. Das 11 pessoas indiciadas até o momento pelo crime, apenas Flordelis segue em liberdade por conta da sua imunidade parlamentar.

Reprodução internet

Pedidos de retirada da imunidade parlamentar

Ontem, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu encaminhar à Corregedoria da Casa o pedido de representação feito pelo deputado Léo Motta (PSL-MG) contra a deputada Flordelis. O deputado havia entregue à Mesa Diretora na semana passada uma representação contra a parlamentar por quebra de decoro.

A decisão pelo encaminhamento foi tomada em reunião realizada pela Mesa Diretora. Ao mesmo tempo, os integrantes da Mesa decidiram apoiar o funcionamento remoto do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, no mesmo sistema que vem sendo utilizado para as votações do Plenário, para dar prosseguimento ao caso, se necessário. O Plenário precisará aprovar um projeto de resolução.

Pelas regras da Câmara, a Corregedoria faz a análise prévia da acusação, e a Mesa, se julgar procedente, remete o caso para o Conselho de Ética para abertura de processo contra a deputada.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ressaltou que o direito de defesa de Flordelis será respeitado, mas que a análise do caso será rápida.

“Tivemos um caso em que a Câmara não cumpriu o prazo de defesa de um parlamentar, e o STF [Supremo Tribunal Federal] derrubou a decisão para dar o prazo. O direito de defesa precisa ser respeitado, mesmo sendo um caso grave e constrangedor. Vamos abrir o prazo. O que precisamos é, na parte que cabe tanto ao corregedor quanto ao conselho, que seja o mais célere possível. Mas o prazo dela será respeitado”, afirmou Maia.

Na reunião documentos trazidos por pelo advogado de Flordelis, Anderson Rollemberg, foram analisados.

“A Mesa da Câmara dos Deputados deliberou, na questão da deputada Flordelis, a partir dos documentos trazidos à Câmara pelo advogado dela, encaminhar à Corregedoria da Câmara esses documentos, pedindo um parecer. Parecer esse que será submetido à Mesa Diretora o mais breve possível, tentando fazer esse processo com grande agilidade”, explicou o 2º secretário da Câmara, deputado Mário Heringer (PDT-MG), que participou da reunião.

A Polícia Civil informou também na semana passada encaminhar a Câmara dos Deputados uma cópia do inquérito com o resultado da investigação, para que sejam adotadas as medidas administrativas cabíveis.

O advogado Ângelo Máximo, que trabalha à serviço da família de Anderson do Carmo, encaminhou uma petição no último dia 27 à presidência da Câmara em que fez o pedido pelo afastamento de Flordelis. Máximo atua como assistente de acusação e acredita que a casa tomará as medidas necessárias para o afastamento de Flordelis e assim retirar a imunidade parlamentar possuída por ela permitindo a sua prisão preventiva e evitando que a acusada de mandar matar o próprio marido atrapalhe as investigações sobre o caso.

Na petição também foram incluídas a irmã de Anderson, Michele do Carmo de Souza, de 39 anos, falecida vítima de uma leucemia em outubro do ano passado, e mãe de Anderson, dona Maria Edna do Carmo, de 65 anos, morta devido a um infarto em abril deste ano. Ele acredita que as mortes aconteceram por conta da perda do familiar enfraquecendo os corpos de Michele e dona Maria Edna.

O Partido Social Democrata (PSD), o qual Flordelis era filiada, emitiu no dia 24 de agosto uma nota sobre a sua suspensão e futura expulsão da legenda conforme o andamento do processo judicial relativo ao homicídio do falecido marido da deputada. O pronunciamento foi assinado pelo presidente do partido, Gilberto Kassab.

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