Flordelis expulsa filhos de gabinete

Os desdobramentos do caso Flordelis teve um novo capítulo. A deputada exonerou do seu gabinete os filhos afetivos Carlos Ubiraci Francisco da Silva e André Luiz de Oliveira e Paulo Victor Izidoro Vieira. Eles eram secretários parlamentares sendo que André e Carlos foram presos na última segunda-feira (24) acusados da morte do pastor Anderson do Carmo. Os dois foram acolhidos pela deputada quando adolescentes. Na época Flordelis os recebeu na Favela do Jacarezinho, no Rio.

As informações foram retiradas em consulta realizada no site da Câmara dos Deputados onde os três filhos de Flordelis já não apareceram como funcionários ativos do gabinete da deputada. André, Carlos e Victor, ganhavam respectivamente R$ 15,6 mil, R$ 14,6 mil (com adição de aproximadamente R$ 1 mil de auxílio) e pouco menos de R$ 2 mil.

O filho afetivo Gerson Conceição de Oliveira, porém foi preservado. Gerson, que também é investigado pela Polícia Civil junto de mais três pessoas sobre participação no homicídio do pastor Anderson do Carmo em nova investigação sobre o crime e pregador na sede do Ministério Flordelis no Mutondo, em São Gonçalo, segue como assessor parlamentar da deputada. No final do ano passado, o irmão afetivo dele, o pastor Carlos Silva, havia assumido a presidência da igreja. Flordelis passou então a ser ser vice-presidência da mesma.

Apesar da assessoria de imprensa da advogada no ano passado ter dito sobre a deputada afirmar não haver impedimento legal para as escolhas e nomeações da parlamentar, as investigações sobre a morte do marido de Flordelis, Anderson do Carmo, apontaram indícios de uso da posição de Flordelis como agente pública nomear ou contratar parentes o que seria a prática criminosa de nepotismo.

As investigações feitas pela Polícia Civil também resultaram em suspeitas de parte dos salários de assessores terem ficado com a deputada, a chamada “rachadinha”. As informações recolhidas pela instituição foram enviadas para a Procuradoria Geral da República.

O deputado Léo Motta (PSL-MG) entregou à Mesa Diretora uma representação contra a parlamentar na última quarta-feira (26) por quebra de decoro. Futuramente o pedido deve ser encaminhado ao Conselho de Ética da Casa. O Partido Social Democrata (PSD), o qual Flordelis era filiada, emitiu na última segunda-feira (24) uma nota sobre a sua suspensão e futura expulsão da legenda conforme o andamento do processo judicial relativo ao homicídio do falecido marido da deputada. O pronunciamento foi assinado pelo presidente do partido, Gilberto Kassab.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou Flordelis como a mandante da morte do próprio marido. O pastor Anderson do Carmo foi morto a tiros na garagem de casa, em Pendotiba, na madrugada de 16 de junho de 2019. Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNISG) também se pronunciou nesta semana sobre o encaminhamento à Câmara dos Deputados de uma cópia do inquérito com o resultado da investigação, para que sejam adotadas as medidas administrativas cabíveis. O procedimento também poderá levar ao afastamento da parlamentar para que ela responda pelo crime na prisão. Se a decisão do Conselho de Ética for pela cassação do mandato da deputada, será preciso também que o plenário aprove a decisão.

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