Flordelis afirma que filha é a mentora do assassinato de Anderson do Carmo

A deputada federal Flordelis admitiu acreditar que sua filha biológica, Simone dos Santos Rodrigues, é a mandante do assassinato do pastor Anderson do Carmo. O motivo seriam supostos assédios praticados pelo líder religioso contra a enteada.

“Vou carregar uma culpa para o resto da minha vida, por ter ficado cega e não tenha visto o que acontecia na minha própria casa, com minha filha. Ela alega que houve uma cena de assédio. Não concordo com o que ela fez, ela não podia ter feito isso, não é matando que se resolve o problema”, disse Flordelis.

As declarações foram dadas durante entrevista concedida pela parlamentar ao jornalista Pedro Bial, da TV Globo. A deputada manteve as declarações dadas em juízo, durante depoimento em audiência de instrução do processo que apura o assassinato de Anderson do Carmo. Flordelis novamente alegou inocência.

“Eu não sabia desse fato. Nunca foi tocado nesse assunto. Fiquei sabendo depois do ocorrido, recentemente. Se eu soubesse, não teria o permitido entrar na minha vida da forma que entrou. Nunca me preocupei com a diferença de idade, ele tinha 16 anos e nós éramos amigos”, prosseguiu a deputada, sobre um suposto namoro entre Anderson e Simone, durante a adolescência.

Recentemente, Flordelis precisou ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular na Zona Sul de Niterói, por conta de uma overdose de medicamentos. Ela afirmou que o depoimento de Simone em juízo, no qual narra os supostos abusos, foi a razão para o fato.

“Eu não esperava o depoimento da minha filha [Simone]. Até hoje estou muito abalada. Naquele momento fui ao meu quarto de oração e queria apagar, dormir por alguns dias, esquecer tudo que estava vivendo para ver se aliviava um pouco a dor”, afirmou.

Sobre contradições apontadas pela investigação da Polícia Civil e Ministério Público do Rio de Janeiro, Flordelis negou. Uma delas seria a primeira versão apontada pela deputada para o crime, de que teria sido um possível latrocínio.

“Eu não entrei em contradição, era o que eu acreditava naquele momento. Eu nunca ia imaginar, mesmo tendo uma trama antes, de morte, eu nunca ia acreditar que os assassinos do meu marido estariam dentro da minha casa. Relógios do meu marido sumiram e dinheiro desapareceu”, prosseguiu.

A trama relatada pela parlamentar teria sido arquitetada por Marzy e Lucas, filhos adotivos e que estão presos, acusados de envolvimento na morte de Anderson. Flordelis novamente mencionou que o pastor, ao descobrir o fato, não quis denunciar à polícia por temer danos à imagem da família.

“Houve uma trama antes da morte do meu marido, feita no meu celular, onde meu filho Lucas veio em casa me mostrar uma mensagem que tinha sido mandada do meu celular pela Marzy, para matar o meu marido. Ele ficou sabendo, entreguei tudo na mão dele, queria muito ir à delegacia e ele me acalmou, e disse que não queria nosso nome exposto”, explicou.

A defesa de Flordelis e a assistência de acusação foram procuradas para comentar as declarações. Até o momento, não se manifestaram. O processo está na fase de alegações finais das defesas dos 11 acusados. Após, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, irá decidir se irão a juri popular.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

onze − três =