Flordelis admite que sabia de plano para matar o pastor Anderson

Vítor d’Avila

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) respondeu na sexta-feira (18) a interrogatório durante audiência de instrução referente ao processo sobre a morte de seu marido, o pastor Anderson do Carmo. Por aproximadamente três horas, ela foi questionada pela juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, titular da 3ª Vara Criminal de Niterói. Seguindo orientação da defesa, ela se negou a responder aos questionamentos da promotoria do MPRJ e à assistência de acusação.

A parlamentar foi a primeira a ser interrogada entre os réus pelo crime. Outros acusados foram ouvidos durante a tarde desta sexta e em nova audiência, programada para o dia 22 de janeiro, após o recesso do Poder Judiciário. Em suas respostas, Flordelis manteve o mesmo tom que vem adotando durante a investigação: negar qualquer envolvimento com o crime.

Ela também seguiu a estratégia organizada por sua defesa, de trazer o nome de seu filho adotivo, o vereador de São Gonçalo Wagner Andrade Pimenta, o Misael, para discussão. Segundo a deputada, Misael e Anderson administravam o dinheiro de sua carreira artística. Cabe ressaltar que a Polícia Civil concluiu que a motivação do crime foi financeira.

“Isso já acontecia desde o início”, afirmou sobre seu marido administrar sua carreira. “Ele era o articulador de todas as coisas da minha vida, jamais fiquei insatisfeita. Como cantora, eu ficava com 40% [da renda] e o restante ele e o Misael administravam. A receita da igreja também era administrada por Anderson e Misael”, prosseguiu.

Plano para matar Anderson

Sobre o relacionamento de Marzy e Lucas com o pastor, o relato foi de desentendimentos e até supostos planos para matar o líder religioso, que chegaram a seu conhecimento. O desentendimento com a filha teria sido causada pela exposição, por parte de Anderson, de um erro cometido por ela, perante os membros da igreja.

“Anderson disse que não iria à delegacia para não se expor. Marzy confessou para ele a trama e ele reconheceu que foi duro demais com ela”, explicou.

“Meu marido não aceitou o envolvimento do Lucas com o tráfico. Lucas era ativo na igreja na operação de som e vídeo”, prosseguiu a deputada, sobre a relação do marido com o filho adotivo Lucas.

Segundo Flordelis, Flávio fazia um curso de tiro porque tinha o sonho de ser policial, além de estar sofrendo supostas ameaças do então namorado de sua ex-esposa. “O Flávio sempre foi muito quieto. Tinha um bom relacionamento com o Anderson”, disse.

O crime – Na noite do crime, Flordelis afirmou que tinha acabado de jantar com Anderson, quando ele a chamou para fazer um passeio à Praia de Copacabana. Segundo ela, eles saíram de casa já tarde, por volta de 22h. Ela narrou que eles “brincaram” na areia da praia e foram a um bar, do qual ela não se recorda o nome, comer um petisco. Na sequência, eles teriam ido de carro, a um local mais deserto, onde “namoraram” no capô do veículo. Ela narra que, por volta de 3h, eles decidiram retornar à casa, em Niterói.

Flordelis reafirma ter visto dois homens suspeitos em uma moto, quando passavam pelo bairro de São Francisco, mas, dessa vez, disse que a dupla não os seguiu. Após chegarem em casa, ela pediu que Anderson fechasse o portão da garagem e subiu para o quarto. Antes de irem dormir, a deputada afirma que passou por vários quartos, num costume que ela diz ter de conferir se todos estavam bem. Disse também que, ao entrar no quarto de Simone, que não estava em casa, encontrou o neto Ramon acordado, e ficaram conversando. Em seguida, diz ter ouvido seis disparos, aproximadamente 10 minutos após ter chegado em casa.

Em seguida, ela diz ter ouvido a voz de Flávio, apontado pela polícia como autor dos disparos, chamando seu nome.

“Quando cheguei na porta [do quarto de Simone], Flávio e Daniel estavam lá. Comecei a gritar pelo meu marido, mas ele não me respondia. Fui descendo e minhas filhas tentavam me impedir de ver a cena”, contou.

Na sequência, André e Ramon ligaram para o socorro, na versão de Flordelis. Daniel interviu e pediu para que Flávio o ajudasse a colocar Anderson no banco de trás do carro, para que fosse levado a um hospital particular, na Zona Sul de Niterói. A deputada também disse que “Ramon, André, Flávio, todos mexeram na cena do crime”, quando questionada sobre possível limpeza no local onde Anderson foi morto.

Sobre o fato de Anderson do Carmo ter sido morto enquanto vestia apenas uma cueca, Flordelis não soube precisar o motivo do fato dele ter tirado suas roupas.

“Dias depois, vi que a calça dele estava jogada em cima das minhas blusas no closet. A camisa sumiu. No dia da reconstituição, falei com o perito que havia uma bermuda do meu marido no chão. Me fez entender que ele tirou a calça e abriu a gaveta”, narrou a deputada.

Rachadinha

Na audiência da semana passada, Dayana Freires, filha adotiva de Flordelis, acusou a deputada e Misael de praticarem “rachadinha” em suas gabinetes, que é a devolução de parte de salários dos servidores. A parlamentar negou as acusações e afirmou que Anderson do Carmo era o “cabeça” tanto de sua vida política, quanto da de Misael.

“Havia insatisfação entre Anderson e Misael. Desconheço

[prática de rachadinha]

. Para mim não houve nenhum repasse, não sei por quê falaram isso [em audiência]. Alguns falaram que eram obrigados pelo meu marido. Eu não tinha conhecimento, ficava muito mais fora do que dentro de casa”, se defendeu.

Escândalos sexuais – Flordelis negou que tenha ido com Anderson do Carmo a uma casa de swing na noite em que o pastor foi assassinado. Ela também rechaçou que a prática fosse corriqueira na vida do casal. Vale lembrar que, ao longo das investigações, várias testemunhas afirmaram que trocas de casais para ter relações sexuais eram comuns no cotidiano da família.

“Meu marido tinha ciúme e cuidado comigo. Jamais permitiria que eu fosse tocada por outro homem”, concluiu.

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