Firjan propõe cinturão de segurança em Itaboraí para conter a violência

Augusto Aguiar

Uma das propostas sugeridas no mais recente estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Rio (Firjan) – “Avanço da criminalidade no estado do Rio de Janeiro – Retrato e propostas para a segurança pública” – revelou que no combate à escalada da violência no estado, os roubos são facilitados pela fragilidade das fronteiras estaduais e nacionais. No caso estadual, por exemplo, o estudo aponta que um combate mais eficaz passaria pela criação de “cinturão” de segurança em 13 postos no estado, um deles no município de Itaboraí. Os demais seriam em Paraty, Itaguaí, Seropédica, Duque de Caxias, Magé, Três Rios, Sapucaia, Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Campos, e Queluz (SP), este último na divisa entre os dois estados e seria o projeto-piloto. Os pontos serviriam como barreiras contra a ação de traficantes de armas e drogas.

O órgão também salientou a importância de se corrigir um antigo déficit no quantitativo de agentes Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em todo o país, faltam 2.716 policiais, ou 21% do que seria necessário, de acordo com a legislação. No estado do Rio, o déficit é de 28,3% em relação ao início da década de 2000.

O “cinturão” seria uma ação integrada com Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e as secretarias estaduais de Segurança Pública, Fazenda e Saúde. Esses postos de fiscalização conjunta de órgãos federais e estaduais ficariam localizados em pontos estratégicos das rodovias e portos. O estudo ainda aponta dados estarrecedores, como levantamento que apontou o registro de um crime a cada 39 segundos em 2016. No mesmo levantamento foi aferido que ocorreram mais de 811 mil crimes no ano passado em todo o estado. Na avaliação da Firjan, a crise econômica do estado e dos municípios contribui diretamente para o agravamento da situação, por conta da redução da presença das forças de segurança pública nas ruas e também das ações de investigação.

O estudo destaca que o estado do Rio se tornou o mais perigoso do país para o transporte de cargas, com quase 10 mil registros de roubo no ano passado. É a maior incidência desse tipo de crime em 25 anos. O número equivale a 43,7% das ocorrências nacionais e o custo foi de R$ 619 milhões. O aumento pode estar relacionado, segundo a Firjan, à estratégia de financiamento das facções criminosas, que têm utilizado o produto roubado para a compra de drogas e armas, financiando o tráfico internacional. A Federação aponta que o crime traz prejuízos para os transportadores, donos de cargas e clientes, além de provocar o desabastecimento formal de produtos e alimentar o comércio ilegal.

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