Firjan aponta piora na economia do Leste Fluminense

Anderson Carvalho –

A atividade econômica do Leste Fluminense piorou no último mês de março, conforme apontou a Sondagem Industrial do Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio), apresentada no último dia 19. Diante de um cenário tão ruim, os empresários da região mostram-se mais pessimistas que o restante do estado e não creem em melhoras no futuro, a não ser com a aprovação, pelo Congresso Nacional, das reformas trabalhista e previdenciária. Os industriais não têm o que comemorar no Dia da Indústria, que é celebrado nesta quarta-feira (24).

Segundo o levantamento, o volume de produção recuou (42,6 pontos) e a demanda foi suprida pela redução dos níveis de estoques (45,2 pontos), que, inclusive, ficaram abaixo do planejado (35,7 pontos). Os indicadores mostram que os empresários da região são os mais pessimistas do estado. As indústrias continuaram operando abaixo da média histórica, com apenas 52% de utilização da capacidade instalada, e, por isso, o número de empregados continuou caindo (40,5 pontos).

A pesquisa é um levantamento de opinião empresarial e os indicadores variam de zero a 100 pontos. Os valores abaixo de 50 indicam redução ou pessimismo e acima de 50 representam aumento ou otimismo. A sondagem indica que, com relação à situação financeira (38,1 pontos), em março, os empresários apresentaram insatisfação. A dificuldade de acesso ao crédito (28,8 pontos) e as baixas margens de lucro operacional (35,9 pontos) contribuíram para o resultado.

O pessimismo dos empresários continua para os próximos seis meses. A expectativa é de queda na demanda por produtos (43,3 pontos) e, consequentemente, queda na compra de matérias-primas (43,5 pontos). A região é a única do estado que continua pessimista em relação à demanda por produtos. A incerteza quanto ao ritmo de recuperação da atividade industrial, tanto interna como externa (37,5 pontos), ainda é um empecilho na retomada dos investimentos (35,4 pontos) e na contratação de empregados (38,4 pontos).

O presidente da Firjan Leste Fluminense, Luiz Césio Caetano, aponta que as reformas são vitais para recuperar a economia regional. “Precisamos de um Brasil mais moderno. Hoje, estamos atrelados a mecanismos de décadas atrás. Sem as reformas, não há ambiente de negócios favorável”, declarou o empresário.

De acordo com Caetano, a indústria naval e a de construção civil, as maiores de Niterói, estão entre as mais prejudicadas. “As duas são de grande empregabilidade e foram muito impactadas pela recessão. Sem perspectiva de melhora. Estamos entrando em um ciclo de esvaziamento econômico. O Leste Fluminense tem grande participação na economia fluminense, mas perdeu espaço. Assim como o Rio em relação ao Brasil”, lamentou o presidente da representação da Firjan.

Participaram da pesquisa empresas dos 16 municípios abrangidos pela Firjan Leste Fluminense: Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Iguaba Grande, Itaboraí, Maricá, Niterói, Rio Bonito, Rio das Ostras, São Gonçalo, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Silva Jardim e Tanguá.

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