Fiocruz soltará mosquitos com Wolbachia na Zona Sul

Aline Balbino

Em fevereiro ou março a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) soltará milhares de mosquitos do tipo Aedes Aegypti portadores da bactéria Wolbachia pelos bairros de Charitas, Preventório, São Francisco e Cachoeira, todos em Niterói, onde vivem cerca de 20 mil pessoas. Jurujuba já recebeu os “mosquitos do bem” em 2015. O Projeto propõe uma abordagem inovadora para reduzir a transmissão dos vírus da dengue, da Zika e da chikungunya, através da liberação do mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. O método utilizado é natural, seguro e sem qualquer risco para as pessoas, os animais e o meio ambiente.

O objetivo da ação é substituir, gradualmente, a população de Aedes aegypti de campo pelos mosquitos com a bactéria. Isso acontece através do cruzamento dos Aedes aegypti, na medida em que a bactéria é passada naturalmente da fêmea para os filhotes, que já nascem com a Wolbachia.

“A ideia é expandir por Niterói o que começamos a fazer em Jurujuba. Tivemos uma percepção que em Jurujuba e na Ilha do Governador as pessoas passaram a se queixar menos de casos de doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti”, disse Guilherme Costa, coordenador de engajamento comunitário da Fiocruz.

O pesquisador do instituto, Luciano Moreira, explicou ainda que a estratégia de ampliação da presença da bactéria nos mosquitos é muito segura.

“É como se o mosquito estivesse vacinado. Com a transmissão da bactéria para outros mosquitos, os descendentes já nascem com a Wolbachia. Nosso projeto é autosustentável. Os trabalhos nos mostraram até agora que a bactéria bloqueia o vírus dentro do mosquito e não sai na saliva atrás da picada”, falou o pesquisador.

Até o momento, nessa área do projeto-piloto, cerca de 80% da população de Aedes aegypti possui a bactéria Wolbachia, um resultado considerado, pela equipe do projeto, como satisfatório e muito positivo.

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