Fiocruz divulga boletim da pandemia no Brasil em 2020

Augusto Aguiar

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na primeira edição do Boletim do Observatório Covid-19, divulgado ontem, traçou um panorama da pandemia do coronavírus no país ao longo do ano passado. Na publicação está contido um balanço que começou por ocasião do primeiro caso registrado no Brasil, em 26 de fevereiro, até o boletim de número 53, de 27 de dezembro a 2 de janeiro.

Na edição especial, foram lembradas também as dimensões continentais e as desigualdades sociais em saúde verificadas no país, que são grandes obstáculos no cenário atual, além da futura situação de pós-pandemia. Foram registradas 44 semanas epidemiológicas, onde foram contabilizados 7.714.819 casos e 195.742 óbitos. De acordo com a Fiocruz, o SUS, que tem a equidade em saúde como um de seus princípios fundamentais, exerce um papel imprescindível no enfrentamento da pandemia.

O levantamento retrata que no ano passado, mesmo com as medidas de contenção, não houve redução nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e mesmo depois de um período de redução, esteve sempre em níveis altos em todos os estados. Em relação a óbitos, se observa números muito expressivos no início da pandemia, quando houve uma pressão no sistema de saúde, ainda sem a preparação devida. Ainda no boletim, é enfatizado que não há saúde para alguns se não houver saúde para todos.

O boletim frisou um alerta para o fato que muitos grupos sociais apresentam grande desvantagem para cumprir as medidas de higienização, distanciamento físico e social, isolamento e quarentena, e também têm dificuldades no acesso aos serviços de saúde. Na linha do tempo, o estudo reuniu os principais fatos e acontecimentos da Covid-19 no país e no mundo mês a mês. A disponibilidade de leitos de UTI para Covid-19 existentes (para SUS e não SUS) para adultos por 10 mil habitantes nos estados tem se mantido estável.

De 21 de dezembro a 4 de janeiro, dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) indicam somente uma pequena redução no indicador no Ceará e pequenos incrementos no Amazonas, Minas Gerais, Paraná e Tocantins. No mesmo período, nove capitais estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos de pelos menos 80%, entre eles o Rio: Manaus (89,4%), Boa Vista (83,3%), Macapá (94,4%), Belém (100%), Belo Horizonte (80,5%), Vitória (80,1%), Rio de Janeiro (99,8%), Curitiba (80%) e Campo Grande (100%). Somam-se a elas ainda, com taxas superiores a 70%, Recife (77,5%) e Porto Alegre (73,8%).

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