Fiocruz alerta que Saúde do Rio já está em colapso com novo avanço de casos

A rede de saúde pública da cidade do Rio já está em colapso. Foi o que anunciou uma nota do grupo de estudos da Fiocruz, Monitora Covid-19.
Segundo a nota, na quarta-feira (2), 172 pessoas aguardavam por um leito de UTI na Região Metropolitana. Na rede privada a situação também é preocupante, já que 98% dos leitos de terapia intensiva da cidade do Rio estão ocupados.

“Já vemos o colapso no sistema. Dentro dos hospitais estamos com muitos problemas, mas fora também. E nem todos foram por Covid-19, mas indiretamente ficaram sem assistência”, comenta o sanitarista Christovam Barcellos, membro do MonitoraCovid-19 e pesquisador da Fiocruz.

Os pesquisadores apontam que não são apenas os hospitais que sofrem hoje com superlotação e problemas de atendimento, mas também a assistência básica.
“Esse quadro aponta para uma condição de colapso do sistema de saúde, não somente dos hospitais, mas também da atenção primária, que, caso fossem mantidas ou estendidas as ações de prevenção e tratamento oportuno de casos crônicos de doenças, poderia se evitar grande número dos óbitos”, diz a nota técnica.

Os pesquisadores também apontam o aumento das mortes fora dos hospitais em outubro como um dos indicativos de que falta assistência de saúde para os cariocas. Um dos principais motivos seria a desmobilização de leitos após os meses com maior número de casos e mortes de Covid-19 na cidade.

“O pico maior foi em abril maio que foi uma grande crise, mas outubro volta a aumentar o numero de óbitos fora dos hospitais. O pico de agora é menor, mas a capacidade do sistema de saúde piorou. É um colapso gerado agora pelo próprio sistema. Isso foi avisado que poderíamos ter um novo aumento de caso E a crise não é apenas nos hospitais, e sim na atenção primária. Essas pessoas que não foram ao centro de saúde poderiam ter sido atendidas. Não é atoa que são mortes que estão concentradas em problemas cardiovasculares e outras doenças cronicas”, comenta Barcellos.

Outras mortes em decorrência de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, estariam sendo indiretamente provocadas pela pandemia, por conta da restrição do acesso à saúde.

“Nos anos anteriores, havia uma média de 12,7% de óbitos que ocorriam nos domicílios. Esse padrão foi ultrapassado de março a maio de 2020. De maio a outubro houve uma redução do indicador, mas em outubro e novembro os valores voltaram a subir, chegando a 15% em novembro, o que pode demonstrar a incapacidade de diagnóstico e de internação de casos graves, tanto de doenças crônicas, quanto de Covid-19”, diz trecho da nota técnica.

O estudo analisou também o local de óbito. Os especialistas concluíram que somente 40% das mortes em decorrência da covid-19, foi em uma UTI. “Provavelmente mais da metade da população que veio a óbito por Covid-19 no município sequer teve a chance de receber atendimento intensivo”, afirmam.

O grupo mostrou preocupação com o aumento dos casos próximos das festas de fim de ano, o que pode agravar em breve caso não tenha um reforço na estrutura hospitalar.

“Esse quadro de desassistência pode se agravar com o aumento do número de casos e da exposição da população a situações de risco de transmissão do vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Nesse sentido, é importante o reforço da estrutura hospitalar de cuidados intensivos, a intensificação das atividades de atenção primária em saúde, articulada com a vigilância em saúde, bem como a manutenção de medidas de isolamento social e alerta para condições de risco nas próximas semanas, especialmente diante do quadro preocupante de realização de grandes festas de fim de ano, que já contam com propaganda regular nas redes sociais.”

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