Fiocruz alerta para gravidade da pandemia

Marcelo Almeida

Em breve o Brasil receberá as primeiras doses da vacina do consórcio Covax Facility, que será usada no Plano Nacional de Imunização (PNI). A afirmação foi feita pela presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, terça-feira (16), durante uma audiência na Comissão Externa da Câmara dos Deputados. As primeiras doses devem chegar ao país até este fim de semana.

De acordo com Trindade, este primeiro carregamento terá cerca de 1 milhão de doses. Um segundo carregamento, com quase 2 milhões de novas doses, deve chegar até o fim do mês. Em abril o país terá novas 3 milhões de doses da vacina. Ao todo, o Brasil tem direito a 42 milhões de doses imunizantes, que devem ser entregues de forma escalonada até o fim do ano.

A falta de imunizantes, é um dos fatores apontados pelos pesquisadores da Fiocruz como responsáveis pelo recente aumento no número de contaminados, internações e mortes. Os outros fatores são as mutações do vírus e as medidas restritivas pouco efetivas adotadas nos últimos dias, em vez de um real isolamento (lockdown). Caso isso não mude, o número de contaminados pode subir ainda mais nos próximos dias.

De acordo com pesquisadores da Fiocruz, a segunda onda da pandemia que está atingindo vários estados desde o início do ano, com altas sendo registradas dia após dia, estão encontrando um Sistema Único de Saúde (SUS) menos preparado para atender à demanda. De acordo com os pesquisadores, se as medidas restritivas não forem revistas e ampliadas, em um mês, os hospitais de toda a região sudeste podem entrar em colapso. A procura por leitos pode aumentar exponencialmente nas regiões metropolitanas, assim como nas cidades do interior, onde um número mais moderado de contaminados podem lotar as fracas estruturas de Saúde Pública desses municípios.

O que traduz essa realidade iminente, segundo a instituição, é o número de leitos que estão ocupados nos estados da região, que estão em torno dos 80%. O estado do Rio de Janeiro está na quarta-feira (17) com 78,8% de ocupação nas UTIs. O quadro da capital fluminense é ainda pior, com 91% de ocupação. Já as cidades de Belo Horizonte e São Paulo estão com 89,2% e 88,4% de ocupação das UTIs para Covid-19, respectivamente.

Pelas projeções da Fiocruz, se a campanha de vacinação mantiver o mesmo ritmo que apresenta no momento, o estado do Rio de Janeiro terá toda a população vacinada apenas dentro de dois anos.

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