Fim do sequestro na Ponte: criminoso é morto por sniper do Bope

Raquel Morais e Augusto Aguiar
Fotos: Marcello Almo

Um homem identificado como Willian Augusto da Silva, de 20 anos, manteve 37 reféns dentro do coletivo da viação Galo Branco linha 2520 (Alcântara x Estácio), na Ponte Rio Niterói. O desfecho do caso, que levou três horas e meia, foi com a morte do sequestrador por um sniper do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O trânsito em Niterói, São Gonçalo e no Rio de Janeiro ficou caótico pois a Ponte ficou completamente fechada das 7h50min e liberada somente às 10h25min.

Willian estava como uma réplica de uma arma, uma faca, gasolina, arma de choque e coquetel motolov, ameaçou os passageiros do ônibus e chegou a sair do coletivo para falar com a polícia algumas vezes. Um cerco foi armado por agentes das polícias Rodoviária Federal (PRF) mas o Bope assumiu as negociações com o criminoso. O criminoso rendeu o motorista do ônibus às 5h40 min da manhã e obrigou ele a travar a Ponte, no acesso ao Vão Central. As pessoas começaram a ser liberadas gradativamente mas somente cinco pessoas conseguiram sair do ônibus, que estava com 37 passageiros.

A Ecoponte informou que uma refém liberada estava grávida, foi atendida pela equipe de socorro da concessionária e encaminhada para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, na Zona Norte de Niterói. Rita de Cassia Costa de Almeida Domingues, Raiane das Graças Mendonça Leal, Fábio Nascimento da Silva, Robson de Oliveira e Tamires Chaves Cordeiro foram os cinco reféns liberados.

Segundo um dos reféns, Patrick Oliveira dos Santos, 36 anos, o criminoso entrou no coletivo na Ilha do Mocanguê e ameaçou incendiar o coletivo. “Ele obrigou o motorista a parar e uma passageira teve que algemar todo mundo. Ele tinha muita algema na mochila. Ele trançou um barbante por todo o ônibus e foi colocando garrafas cortadas cm gasolina dentro pendurada. Nesse momento a tensão tomou conta das pessoas. Ele fazia isso tudo quieto e em nenhum momento falou os motivos desse sequestro”, contou.

Alguns passageiros que estavam dentro do coletivo conseguiram manter contato com familiares e até mesmo com a polícia. Nas imagens Willian estava de camisa branca circulando pelo interior do veículo a todo momento e também tinha o rosto coberto por uma bandana. Um dos reféns disse que ele pedia para ver as imagens do que estava sendo veiculado na mídia em tempo real. “Graças a Deus deu tudo certo. Parabéns aos policiais”, resumiu um dos reféns identificado como Walter Freire. Antes de ser alvejado Willian saiu do coletivo e jogou um casaco para os policiais e quando foi entrar no coletivo de novo o sniper conseguiu atirar.

O sequestrador teria exigido uma ambulância e R$ 30 mil para libertar os passageiros. Após ser baleado, ele foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que ‘o paciente chegou em parada cardiorrespiratória, e foi constatado o óbito pela equipe médica do hospital’.

O governador Wilson Witzel se manifestou sobre o fim do sequestro do ônibus e afirmou que o sequestrador não fazia parte da polícia militar. “Quero agradecer a Deus essa solução que infelizmente não foi a melhor possível. O ideal era que todos saíssem com vida mas tivemos que tomar uma solução para salvar os reféns rapidamente e solucionar o problema. Assistimos o trabalho técnico da PM e fiquei monitorando para fazer meu trabalho como governador. A polícia escolheu a melhor oportunidade pra salvar os reféns e meu papel é fazer que tudo funcione e funcionou”, contou.

Ele explicou que a determinou que a secretaria de vitimização dos Policiais Militares cuide dos reféns e também da família do homem morto. “Conversei com os familiares do sequestrador e ele pediu desculpa para a sociedade e eu disse que não precisava se desculpar. Ele disse também que alguma coisa deve ter falhado na educação do parente. Vamos entender esse problema para que não ocorra mais”, completou o governador. O coronel Mauro Fliess, porta-voz da Polícia Militar, também comentou a ação do sniper. “Essa é a polícia que queremos ver. Foi necessário o disparo do sniper para neutralizar o marginal. Estamos prestando solidariedade e cuidando da saúde de todos os reféns. Quero parabenizar todos os envolvidos da operação. Nenhum refém ficou ferido e eles estão recebendo atendimento médico e psicológico necessários”, confirmou.

O prefeito Rodrigo Neves também se posicionou sobre o ocorrido. “Parabéns a equipe da PMERJ que logrou êxito em salvar a vida de reféns e inocentes nessa ocorrência dramática na Ponte Rio Niterói. Lamento a perda de vidas humanas em qualquer circunstância, mas a ação necessária evitou um desfecho ainda pior”, pontuou. Toda a ação contou com dezenas de policiais além de barcos da Marinha e do Corpo de Bombeiros que deram suporte à operação. Os secretários de Estado de Polícia Militar, Rogério Figueredo, e de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, também acompanham a ação.

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