Fim do calor em 30 dias, diz secretário

Raquel Morais –

Após assumir a Secretária de Saúde do Estado do Rio, o secretário Edmar Santos se comprometeu, em até 30 dias, resolver o problema da falta de ar-condicionado, ou falha na manutenção, dos hospitais estaduais. Enquanto o problema não é tratado como prioridade, pacientes e funcionários do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca em Niterói; do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê em São Gonçalo; e do Hospital Estadual Prefeito João Batista Caffaro, no Centro de Itaboraí, continuam reclamando sobre a climatização das unidades. O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ) aponta que o problema é antigo e já tinha sido reportado para o órgão normativo.

De acordo com o Sindsprev-RJ, a entidade já recebeu algumas reclamações sobre condições de trabalho nos hospitais sobre falta de insumos, falta de climatização e falta de medicamentos, por exemplo. O lavador de carros João Pinheiro, 38 anos, está com parente internado no Heat e disse que a climatização poderia ser melhor.

“Na recepção o ar é muito forte mas na enfermaria não é tão bom assim não”, contou.

A cabeleireira Gisele Macena, 33 anos, disse que na área de entrada para as ambulâncias, que inclusive tem um posto de medição de pressão arterial, o ar-condicionado não é suficiente. Um ventilador é usado para refrescar os funcionários e os pacientes que aguardam a entrada no hospital.

No Heal, em Niterói, o problema se repete e funcionários da unidade que não quiseram se identificar confessaram que o problema persiste desde o início da semana.

“Alguns setores são muito gelados e outros estão quentes. Em dias de calor muito excessivo não tem ar-condicionado que suporte a temperatura. Acho que uma manutenção resolveria o problema”, pontuou uma enfermeira.

Na unidade de Itaboraí o problema é parecido com a falha na climatização, principalmente em dias que a temperatura é muito alta.

Nas Unidades de Pronto Atendimento do Fonseca, em Niterói, e de Nova Cidade, Colubandê e de Santa Luzia, em São Gonçalo, o problema também é grave. Além das questões levantadas em uma reportagem de A TRIBUNA no início da semana, como falta de medicamentos e tempo de espera no atendimento, as UPAs também sofrem com o problema da climatização por conta das altas temperaturas do verão, inclusive com aparelhos de ar-condicionados quebrados. O Sindicato dos Médicos de Niterói, São Gonçalo e Região (Sinmed) recebeu relatos de médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos em enfermagem e outros funcionários sobre o assunto.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO
Ainda sobre a questão da saúde pública, o Ministério Público do Trabalho (MPT) agendou para o dia 13 de fevereiro uma audiência com o Instituto Dos Lagos Rio, o Estado do Rio de Janeiro (Secretaria de Estado de Saúde), Sindicato dos Médicos de Niterói, São Gonçalo e Região, Cremerj e Sesnit. A informação foi divulgada pelo Sinmed e a convocação foi feita para esclarecer e deliberar concernentes aos contratos de gestão referentes ao Heat e UPA 24h do Colubandê, ambos em São Gonçalo.

De acordo com o sindicato a Organização Social Associação Congregação Santa Catarina encerrou os contratos com os funcionários do hospital de São Gonçalo, dando lugar ao Instituto Dos Lagos Rio. Porém as rescisões trabalhistas devidas aos funcionários contratados não foram acertadas.
“Recebi queixas ao Sinmed de Niterói, São Gonçalo e Região, por documento, informando que os salários estavam atrasados, não viam chances de receber o décimo terceiro a tempo, além de enfrentarem um trabalho precário, sem insumos básicos e medicamentos. Além disso, denunciaram que os funcionários recebiam como se fossem autônomos”, comentou o presidente do Sinmed, Clóvis Cavalcanti.

A Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC) comentou em nota que encerrou suas atividades no Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo (RJ), em 31 de agosto de 2017, em estrito cumprimento às determinações contratuais. Sensíveis aos apelos da ACSC no processo de negociação realizado junto às autoridades governamentais do Estado do Rio de Janeiro, no sentido de minimizar os efeitos da insuficiência de pagamentos, o corpo de funcionários, os profissionais médicos e os fornecedores concordaram, após as respectivas assembleias, em receber suas indenizações em três parcelas, as quais foram integralmente quitadas em setembro, outubro e novembro de 2017, e não restando nenhuma pendência.

Segundo nota da Secretaria de Estado de Saúde (SES) a nova gestão, por determinação do Governador Wilson Witzel, criou grupo de trabalho para apurar responsabilidade e leniência a respeito das questões de infraestrutura na rede estadual de saúde. Desde a semana passada, equipes técnicas estão percorrendo unidades para  realização de diagnóstico infraestrutura, dentre elas a climatização e segurança elétrica. Estão sendo realizados também a revisão dos contratos de manutenção, dos serviços prestados à população e de protocolos de atendimento e qualidade de serviço. A expectativa é buscar soluções para poder realizar as melhorias nas unidades citadas na demanda nos próximos 30 dias.

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