Figueira centenária é cortada no Ingá

Raquel Morais

Quem estava acostumado a passar pela Rua Paulo Alves, no Ingá, e se deparar com um verdeiro corredor arbóreo, ao lado da principal praça do bairro, vai sentir uma diferença a partir dessa semana. Uma figueira centenária, que ficava praticamente na esquina da rua com a Presidente Pedreira, foi cortada por estar muito inclinada, oferecendo riscos aos pedestres e motoristas que passam pelo local. A Prefeitura de Niterói anunciou que mais duas árvores serão retiradas, mas dessa vez dentro da praça, e através do programa Verdes Notáveis serão plantadas seis novas mudas no local, dizia a nota.

Imagens de satélite mostram a inclinação da árvore, que ao longo das décadas foi tombando. Parte do concreto do jardim chegou a rachar devido força da raiz da Figueira.
“Cresci no Ingá e estou na terceira geração com filha e neto e sempre vi essa árvore tendencionando uma queda. As vezes essas coisas têm que acontecer para garantir a segurança de quem passa pelo local. Mas chega dar um dó no coração ver uma árvore tão simbólica e majestosa cortada”, lamentou a psicóloga aposentada Roseni Silvada.
Em nota, a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) informou que realizou a supressão da árvore devido a inclinação de risco do seu tronco. Antes de executar a supressão, a equipe técnica da Seconser tentou salvar a árvore, que ficou sendo monitorada por cerca de nove meses após passar por poda e limpeza da base. Como a inclinação não foi revertida, a árvore teve que ser removida do local. O especialista em plantas, Jorge Carvalho, responsável pelo Sítio Carvalho, opinou sobre a situação. “Não sei qual foi a razão pela qual foi cortada. Talvez ela não fosse tão velha assim porque as figueiras crescem muito rápido. São plantas exóticas e foram muito plantadas por paisagistas europeus contratados para fazer paisagismo urbano no Brasil. Tem raízes superficiais e vigorosas que destroem calçamento, tubulação e etc e talvez por isso tenha sido sacrificada”, comentou.

A administração municipal acrescentou ainda que mais duas árvores localizadas dentro da Praça do Ingá também terão que ser retiradas por apresentarem estado fitossanitário (de saúde) comprometido. A bióloga Tássia Torres Furtado explicou que em alguns casos as árvores já estão mortas por dentro e só a casca em pé o que pode causar acidentes. “Sobre o estado fitossanitário algumas plantas parasitas podem comprometer sim a estrutura da árvore”, afirmou a especialista da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

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