Febre amarela: prevenir ou remediar?

Aline Balbino

Não é possível dizer que o perigo aumentou. Mas a incerteza está maior. Após uma trégua de casos de dengue e zika, o Aedes Aegypti apareceu novamente para aterrorizar a população, dessa vez trazendo outra doença, a febre amarela. Segundo especialistas da área de Infectologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), os governantes do Estado do Rio de Janeiro devem se preparar com urgência para conter a proliferação do mosquito e evitar surtos de febre amarela. A doença, se não tratada com rapidez, pode ser entre 15 e 50 vezes mais mortal que a dengue e a zika.

Mesmo sem casos em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, a vacinação é necessária apenas para pessoas que vão viajar para áreas de contágio ou que vivem nesses locais. O medo de um surto tem levado a população a procurar clínicas especializadas em aplicações de vacinas. O preço da aplicação custa cerca de R$ 200, mesmo assim, o medicamento está escasso na cidade. Dentre 10 clínicas de vacinação procuradas, apenas uma aplica esse tipo de vacina, mas mesmo assim não há estoques no momento. Na Clínica Vacinar, em Icaraí, a expectativa é que o medicamento chegue em fevereiro.

“Temos mais de 20 pessoas procurando a vacina por dia. A procura está grande porque as pessoas estão com medo. Pedimos a vacina e esperamos que chegue no mês que vem. Estão ligando o dia inteiro pedindo”, disse Daniel Haffiner, enfermeiro responsável da Vacinar.

Segundo o infectologista, Jorge Manaia, da UFF, é preciso que haja rapidez para conter a proliferação do mosquito para evitar surtos de febre amarela. Manaia alertou para a periculosidade da doença, afirmando que os doentes podem morrer em até uma semana, caso não recebam o tratamento adequado. A doença tem preocupado estados vizinhos como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Jorge explicou que a taxa de mortalidade é muito grande entre pacientes contaminados com febre amarela, podendo ser entre 15 e 50 vezes mais mortal que a dengue e a zika.

“Desde 1942 não há surto da doença no Brasil quando o mosquito foi erradicado. O problema é que ele foi erradicado na forma urbana e não na silvestre. Se um humano foi para essa área ele poderá ser picado e infectado. A taxa de mortalidade é muito elevada, em mais de 50%. A situação já perdeu o controle. É necessário fazer uma boa cobertura vacinal”, disse.

Segundo Jorge, a principal maneira de inibir uma epidemia é combater a proliferação de mosquitos, além do uso de repelentes e roupas grandes para grávidas.

Governo do Estado
A Secretaria de Saúde publicou no último dia 18, nota técnica elevando o nível de vigilância a pacientes com sintomas característicos da febre amarela nos 14 municípios das regiões Norte e Noroeste Fluminense que fazem divisa com Minas Gerais e Espírito Santo. A secretaria alerta que esta é uma medida preventiva e que não foi registrado nenhum caso de febre amarela no estado em 2016 e 2017. No momento, quem vive em outras cidades fluminenses não precisa ser imunizado – a não ser que tenha que viajar para áreas com transmissão comprovada da doença. Essas pessoas devem procurar o posto de vacinação mais próximo com pelo menos dez dias de antecedência da viagem.

Ministério da Saúde
Segundo o Ministério da Saúde, devem se vacinar contra a febre amarela apenas pessoas que moram nas áreas de recomendação da vacina ou que viajam para essas localidades e que estão com o esquema de vacinação incompleto, ou seja, quem não tomou as duas doses recomendadas pelo Ministério da Saúde. Para adultos que tomaram a primeira dose há menos de dez anos, também não há necessidade de adiantar a dose de reforço.

A recomendação de vacinação para o restante do país continua a mesma: toda pessoa que reside em Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela e pessoas que vão viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata dentro dessas áreas, deve se imunizar. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão fora da área de recomendação para a vacina.

BioManguinhos
Para saber adequadamente quais sintomas, meios de transmissão e prevenção, o site da BioManguinhos fornece as orientações abaixo:

Sintomas
A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.
 
Transmissão
A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.
 
Prevenção
Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do “fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × 4 =