Farmácia Universitária da UFF passa a integrar projeto de remédios mais baratos

Raquel Morais –

Uma mudança na administração do Programa Farmácia Popular do Brasil está gerando um boato de que o projeto teria sido extinto. O Ministério da Saúde garante que o programa continua em funcionamento em mais de 400 farmácias de todo o país. A Farmácia Universitária da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Centro, divulgou uma nota informando que começou a vender uma remessa de medicamentos do programa, com o mesmo valor proposto pelo Governo Federal. Os remédios teriam sido doados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Para os próximos dias mais insumos vão chegar no laboratório para revenda.

Em nota, a UFF divulgou que o ministro da Saúde [Ricardo Barros], em entrevista coletiva dada no dia 6 de junho de 2017, divulgou o encerramento do Programa Farmácia Popular do Brasil, Rede Própria. A Farmácia Universitária (FAU) recebeu parte dos medicamentos e os comerciará a preços reduzidos enquanto durarem o estoque fornecido. Porém, o órgão federal afirmou continuar com o programa, que tem convênio com mais de 34 mil drogarias, atendendo 10 milhões de pessoas em média por mês. Essa vertente, prevista na portaria do Farmácia Popular de 2006, batizada de Aqui Tem Farmácia Popular, responde por 93% dos usuários da iniciativa. Para 2017, o orçamento previsto é de mais de R$ 2,5 bilhões.

A diretora da FAU, Eliana de Vares, explicou que os medicamentos chegaram na última quarta-feira e o espaço não tem filosofia de lucro, e está repassando os insumos pelo preço do programa do Governo. Segundo ela, os três medicamentos mais procurados pelos niteroienses são: carbamazepina de 200 mg, fluoxetina de 20mg e amitriptilina de 25mg; além do clonazepam de 2mg, omeprazol de 20mg e sinvastatina de 20mg. Os seis medicamentos estão sendo vendidos no espaço universitário por: R$ 1,50 com 10 comprimidos, R$ 1,40 com 14, R$ 5 com 20 unidades, R$ 1 com 10, R$ 3,50 com 14 e R$ 6 com 15 remédios, respectivamente. Comparando esses valores populares com o preço comum de mercado, por exemplo, o clonazepam custa R$ 6,70 com 30 comprimidos. A mesma quantidade do popular sai por R$ 3, diferença de R$ 3,70, ou 123,33%. A sinvastatina, R$ 14,25 com 30 comprimidos, e no preço popular sairia por R$ 12, economia de 18,75%.

“A procura está muito grande e estamos em contato com a Fiocruz, que já está separando nova remessa de remédios para nos doar. Estamos fazendo isso para ajudar a população”, comentou Eliana, que percebeu aumento de 50% no movimento nos últimos dias.

O gerente da farmácia Moderna, no Centro de Niterói, Felipe Ferreira, disse que as vendas dos medicamentos pela Farmácia Popular são fortes na unidade. “Não acabou [o programa] e não temos conhecimento que acabará. As pessoas procuram muito se encaixar nesse perfil e economizar”, concluiu. Ainda em nota, o Ministério da Saúde explicou que estados e municípios terão um incremento de 10% para a compra de medicamentos da atenção básica do SUS, equivalente a R$ 100 milhões por ano. A ação tem o objetivo de ampliar a oferta efetiva de insumos farmacêuticos para o tratamento de doenças como diabetes, hipertensão e asmas, por exemplo, nas unidades de saúde de todo o país. A medida foi possível com a realocação de recursos que eram destinados à Rede Própria do Farmácia Popular, cujo custo administrativo chegava a 80%. Agora, o valor será integralmente aplicado na oferta de fármacos à população.

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