Famílias se reinventam para celebrar o Natal em tempos de pandemia

Raquel Morais

Após anúncio da Organização Mundial da Saúde (OMS) com algumas determinações para a segurança das confraternizações para as festas de fim de ano, niteroienses contam como pretendem passar a noite de Natal. A tradicional ceia dará lugar a pequenas comemorações, com poucas pessoas. Há ainda quem vai optar pelo lugar em que passa mais tempo, no ambiente de trabalho. Uso de máscara, disponibilização de álcool em gel e preferência por ambientes ao ar livre estão entre as recomendações dos especialistas.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recomendou o distanciamento de pelo menos dois metros entre as pessoas, o uso de um saco plástico para guardar a máscara, além do uso o tempo todo sendo retirada apenas para fazer as refeições, evitar toalha de pano e optar pela de papel descartável e evitar aperto de mão e abraços. Para a hora da ceia é importante que apenas uma pessoa sirva a comida para evitar o manuseio de colheres e espátulas que em geral são de uso comum.

O jornalista Thiago Monteiro, de 63 anos, conta que esse ano o Natal será apenas com as duas irmãs. Para ele, isso não será um ponto negativo na comemoração. A decoração da sua casa também ficará para ano que vem e não haverá enfeites natalinos.

“Vou simbolizar a árvore de Natal na minha árvore da felicidade que fica na minha sala. Esse vai ser um Natal diferente. Para a nossa geração será inesquecível no sentido literal da palavra. A pandemia mudou tudo e estamos vivendo muitas perdas e eu perdi muitos amigos. Acho que temos que fazer do limão uma limonada e aproveitar esse momento e fazer dele feliz. Acho que as pessoas devem estar cientes da gravidade da pandemia. Realmente esse será o natal com as pessoas que sempre fazem parte da nossa vida. E não podemos deixar de emanar energia positiva e muita luz para as pessoas que fizeram a passagem nesse período”, contou.

Já na casa da fotógrafa Nathalia Felix a celebração também será em pequena proporção, apenas com os membros da própria residência, e sem encontros. Mas por causa do pequeno Igor, de seis anos, a casa ganhou um pouco de ‘ares natalinos’.

“Vamos passar nosso Natal em agradecimento, mas sem esquecer do momento grave que vivemos. Estamos em isolamento desde março, não encontramos nossa família ou amigos, o trabalho é feito em home office e saímos com muita restrição. Nesse tempo repensamos muita coisa, nossos hábitos de compras, nossas reais necessidades e nos adaptamos pra nossa casa ser realmente o nosso refúgio. É claro que estamos desgastados, já sem imaginação para novas atividades mas temos uma criança que nos mostra a todo momento que é preciso ter fé. Ele se encanta pela magia do Natal, pela figura do papai Noel e pela história do nascimento de Jesus. Foi dele o pedido pra montar a árvore junto com o presépio que ele ganhou. É um novo fôlego, então aproveitamos a energia e fizemos novas atividades de recorte de papel, desenhos e pinturas da botinha do papai Noel, todos reunidos, bisavó, avó, mãe e filho”, frisou.

E se para as pessoas ficar em isolamento é um momento difícil, imagina para quem está na linha de frente no combate ao coronavírus? A médica niteroiense Mariana Saraça, 34 anos, se desdobra entre os plantões e guarda na memória as lembranças de como é trabalhar em uma pandemia. E para ela não seria diferente: a ceia de Natal será no hospital, e de plantão.

“Alguns amigos vão fazer ceia de Natal mesmo com a pandemia, outros estão respeitando o isolamento e não vão se reunir. Natal é um momento importante pra família e de união. Nesse contexto, acho que a celebração se torna importante. Algumas pessoas estão precisando de carinho, outras perderam entes queridos e o suporte da família se torna muito importante. Eu que trabalho em emergência, vou fazer teste pra poder ver minha família. Sendo que a tradicional ceia do dia 24 para 25, eu estarei de plantão. Só vou poder vê-los no dia 25 mesmo”, contou.

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