Famílias denunciam falta de vagas em cemitérios de SG

Wellington Serrano –

“Não consegui chorar a morte da minha tia porque, sem local para enterrar no cemitério de São Gonçalo, tive que forçar a barra para pedir a retirada dos restos mortais da minha família num jazigo perpetuo para o coveiro enterrar ela com dignidade”. Esse foi o depoimento de um gonçalense que não quis se identificar e passou há duas semanas pelo problema de falta de vagas nos cemitérios públicos de São Gonçalo, que continua sendo um obstáculo para os sepultamentos.

Além de não ter onde enterrar o corpo do parente, a família ainda gasta cerca de R$ 300 a mais para procedimentos de funerárias, que ‘preparam’ o corpo para esperar por alguns dias o enterro. No Cemitério São Gonçalo, no Centro, e no Cemitério São Miguel, no bairro do mesmo nome, familiares encontram a dificuldade para sepultar os corpos de seus parentes.

Um funcionário de uma funerária que não quis se identificar explicou que, em caso de espera da liberação da vaga para o sepultamento, a família pode gastar em torno de R$ 300 para a tanatopraxia. “Injetamos um líquido com base de formol para manter o corpo por mais horas. Também tem funerárias que guardam os corpos na geladeira para conservação, o que pode girar em torno de R$ 180 a diária”, ressaltou.

As famílias dos mortos durante uma ação da Polícia Civil no Complexo do Salgueiro passaram pela mesma dificuldade na semana passada. Depois de terem perdido um parente enfrentaram o drama da falta de vagas em cemitérios. Dos sete mortos apenas dois foram enterrados no dia seguinte: Marcelo da Silva Vaz e Vitor Hugo Castro Carvalho.

“Passamos por esse momento tão sofrido, sem dormir e não conseguimos resolver. Eu fui a primeira a reconhecer o corpo do meu filho no IML, já liberado, mas não tivemos a vaga para enterrar. Achei que já tivesse resolvido”, reclamou Joelma, mãe de Márcio Melanes Sabino.

A família de Bruno Coelho, que estava junto com Marcelo da Silva Vaz, no momento que foi morto, também não conseguiu vaga para fazer o enterro. Morador da Praia da Luz, ele foi o último a ter o corpo identificado. A funerária que atende no IML informou que a previsão para abrir novas vagas no município seria na última sexta-feira (17).

Câmara pede transparência nos funerais
A Câmara de Vereadores de São Gonçalo aprovou, na última quinta-feira, projeto de lei que determina que a prefeitura publique em seu site oficial a quantidade de vagas disponíveis para sepultamento. O autor do projeto, o vereador Natan, do (PSB), disse que está cansado de ver a população enfrentar dificuldades até na hora de enterrar seus entes. “Por isso esse PL precisa ser aprovado também pelo Executivo. Precisamos de transparência neste serviço. Fico satisfeito pelo projeto ter sido aprovado pelo Legislativo do município, isso mostra que os vereadores querem cooperar com áreas esquecidas da cidade, mas para isso ser executado precisamos da autorização do prefeito”, explicou o vereador.

A Prefeitura mais uma vez negou a falta de espaços e garantiu que existem vagas nos cemitérios São Gonçalo e São Miguel. Disse ainda que é dado um prazo máximo de 24 horas para o sepultamento a partir do momento da comunicação do falecimento. Segundo o Executivo, os cemitérios da cidade já estão passando por reformas e melhorias desde o início do ano. “Está sendo construído um novo ossário em São Miguel e 35 gavetas mortuárias em Ipiíba. Até o meio do ano serão construídas novas gavetas nos cemitérios de São Miguel e São Gonçalo, além da reforma e reabertura da Capela de São Gonçalo”, afirmou em nota.

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