Familiares de desaparecidos após naufrágio também ‘investigam’ o caso

Raquel Morais –

Familiares dos pescadores desaparecidos em Angra dos Reis após naufrágio esperam com ansiedade o término do inquérito feito pela Marinha do Brasil. Serviços não cadastrados, reparos que deveriam ser feitos e outras possíveis irregularidades estão sendo levantadas pelas famílias dos pescadores, que querem respostas sobre essas questões. Três corpos permanecem desaparecidos e a Marinha continua a busca no mar de Angra dos Reis.

Parentes apontam que o barco estaria fazendo serviços também para a fábrica Gomes da Costa, de atum e sardinha. O dono do estaleiro, Altamir, teria se reunido esta semana com representantes da fábrica para pedir um posicionamento para as vítimas. “As duas empresas estão querendo ‘por o corpo fora’ dessa responsabilidade. Só sei que queremos uma resposta para essa questão”, comentou um familiar que não quis se identificar.
Thiago de Souza Alves, de 28 anos, filho de José Alves da Silva, que ainda está desaparecido, disse que participou de uma reunião com o dono do estaleiro Altamir. “No encontro ele disse que não tem propriedade direta do barco. Estamos esperando esse inquérito. É uma situação complicada e me sinto impotente de não conseguir resolver nada. Ter encontrado os dois corpos incentivou o trabalho da Marinha e sabemos que alguns vestígios do barco começaram a aparecer, então facilita a localização da embarcação”, comentou.

O dono do estaleiro foi procurado pela equipe de reportagem de A TRIBUNA, mas informou, por contato telefônico, que não queria comentar o assunto. Já a Gomes Gosta informou em nota que não é a proprietária do barco e não tem embarcação operando no Brasil. A empresa compra os produtos – sardinha e atum – de armadores da região. “A GDC, por solidariedade e total censo humanitário, se colocou, via Sindicado dos armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região, à disposição para ajudar no que for preciso”, informa a nota. Questionada pela reportagem se teria comprado ou iria comprar peixe do barco que naufragou (Nossa Senhora do Carmo I), a empresa não respondeu.

Duas vítimas dessa tragédia foram resgatadas na tarde de segunda-feira por equipes de salvamento a 120 quilômetros do local do naufrágio. Os corpos foram identificados no IML do Barreto, como João Manuel Mendonça de Abreu, conhecido como Tôro, e Márcio Braga. João Manoel Martins Moreira, João Perestrero e José Alves da Silva ainda estão na lista de desaparecidos.

O ACIDENTE
Dezoito tripulantes da embarcação pesqueira “Nossa Senhora do Carmo I” sobreviveram ao naufrágio da última quarta-feira. O barco tinha 23 pessoas a bordo e estava na região de Angra dos Reis (RJ), a cerca de 70 km da Ilha Grande, após período de pesca no litoral de Itajaí, em Santa Catarina. O grupo foi resgatado pela embarcação “Costa Amêndola” e levado até o porto da Ilha da Conceição.

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