Família pede justiça por jovem morta em São Gonçalo

Vítor d’Avila

Familiares da jovem Emanoelly Almeida, de 19 anos, pedem justiça. A jovem morreu baleada na cabeça, no sábado (13), no bairro Santa Luzia, em São Gonçalo, quando deixava uma loja de açaí, após visitar uma amiga.

Emanoelly iria comemorar seu aniversário, junto com o pai, o técnico de engenharia Ubirajara Freitas, de 45 anos. Ele afirma que um policial militar é o responsável por ter feito o disparo que vitimou sua filha.

“Ela estava a caminho da minha casa e parou na barraca de açaí para falar com a colega. Quando os policiais suspeitaram de uma moto, saíram da viatura e se abrigaram ao lado da barraca. Quando ela foi sair ele efetuou o disparo e a atingiu na testa”, disse o pai.

Ubirajara relata que testemunhas afirmam que sua filha morreu no local e, além disso, o confronto narrado pelos militares jamais teria acontecido. Os fatos são motivo de questionamento por parte do pai, que levanta a hipótese de a cena do crime ter sido alterada.

“Ela já caiu sem vida, morreu no local e eles simularam uma operação que não existiu. Não teve confronto. Nem eles mesmos chegam a um consenso sobre o que houve. Se a minha filha já estava sem vida e eles insistem em afirmar que o tiro partiu dos traficantes, por que não deixaram o corpo dela e acionaram a perícia?”, prosseguiu.

O pai da jovem afirma que seu objetivo não é conseguir indenizações, mas sim justiça pela perda de Emanoelly. Ele deseja que o policial que ele afirma ser responsável pelo disparo seja punido.

“Eu não estou aqui para generalizar, falar mal da instituição. Estou aqui para pedir justiça contra um policial que cometeu um crime. Você acertar uma pessoa a 3 metros de você sem direito de defesa. Quero que ele seja responsabilizado por isso. Não quero entrar com ação contra o estado, indenização, nada de dinheiro”

Entretanto, a missão mais difícil será toda a família conseguir superar a dor provocada pela perda de uma menina, que ainda estava no início de sua vida. Ubirajara fala sobre como era o perfil de Emanoelly e sua relação com os parentes.

“É uma dor insuportável, ele destruiu a família. Ela tinha sonhos, tinha sobrinhos que ela adorava,. Hoje mesmo, meus netos acordaram e perguntaram por ela. Não sei descrever o que estou sentindo, é uma perda irreparável e o que me deixa muito triste é que ele tivesse a compaixão em falar que errou”, completou.

O caso foi registrado inicialmente pela 73ª DP (Neves), mas será encaminhado à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG), que dará prosseguimento às investigações.

No domingo, a Polícia Militar informou que informou que agentes do 7ºBPM (São Gonçalo) estavam em patrulhamento pelo bairro Santa Luzia, no município de São Gonçalo, quando se depararam com indivíduos armados em motocicletas. Estes indivíduos efetuaram disparos de arma de fogo contra a equipe policial, que reagiu. Foi solicitado apoio de outras equipes. Após cessarem os disparos, uma pessoa foi encontrada ferida e foi imediatamente socorrida ao Hospital Estadual Alberto Torres..

O caso

O caso aconteceu na tarde de sábado (13). A jovem Emanoelly Almeida, de 19 anos, estava indo para a casa do pai, Ubirajara Silva de Freitas, comemorar o aniversário, quando foi atingida por um tiro na cabeça, na Avenida Santa Luzia.

O disparo aconteceu no lugar conhecido como Curva do S. A jovem, segundo a PM, chegou a ser atendida no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no bairro Colubandê, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. A origem do disparo não foi identificada. A Polícia Civil irá realizar diligências a fim de determinar de onde partiu o tiro.

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