Família acusa polícia de prender homem injustamente em Niterói

Uma família niteroiense vive momentos difíceis há uma semana. No dia 6 de agosto, Ana Beatriz Sobral Faria, de 21 anos, soube da prisão do seu companheiro, Danilo Félix Vicente de Oliveira, de 24 anos, pelo crime de roubo a mão armada. A punição seria justa, segundo a família do jovem, se o mesmo tivesse cometido o crime em 2 de julho, na Rua Visconde do Rio Branco, no Centro de Niterói. De acordo com Ana, Danilo foi apontado pela vítima como autor do roubo pelo simples fato de ser negro. A prisão aconteceu por volta das 19h na Rua Marquês de Caxias, no Centro. O caso foi registrado na 76ª DP (Centro) e atualmente Danilo se encontra na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, no Rio.

Uma campanha está sendo realizada na internet pela soltura do jovem e um abaixo-assinado virtual já circula com mais de 1.151 assinaturas.

“Na rua tem a loja de um primo meu e ele sempre ia lá para conversar um pouco. Nós temos uma lojinha virtual e ele faz as entregas. Eu levei um susto quando soube que haviam prendido ele. O meu marido foi preso por policiais em um carro branco. Como é réu primário e não havia uma foto dele no sistema, mostraram para a vítima uma foto de mídia social tirada em 2017 quando ele ainda possuía cabelo curto. Ele já não usa cabelo curto há mais de dois anos. Na época da foto ele tinha um bigode fino como tinha sido dito antes pela vítima. A vítima também descreveu um homem de pele parda e o meu marido é preto. Levaram a moto e uma mochila da vítima nesse roubo e a última localização do celular deu no bairro do Apollo III, em São Gonçalo. Nós moramos no Centro de Niterói com o nosso filho”, disse Ana.

Responsável pela defesa de Danilo, a advogada Cristiane Lemos afirma que as imagens das câmeras da Rua Visconde do Rio Branco não foram são solicitadas pela polícia.

“O erro está no reconhecimento falho do Danilo. Em um primeiro momento a vítima reconheceu um outro homem e somente em uma segunda ida à delegacia a vítima reconheceu o Danilo. Os dois são muito parecidos, porém o Danilo tem dread no cabelo que é uma característica bem marcante para um reconhecimento. A própria vítima falou sobre ter câmeras no local do crime e essas imagens não foram pedidas pela polícia”, enfatizou a advogada.

O processo de acusação do jovem se encontra no Ministério Público, segundo informações obtidas pela advogada no Cartório da 1ª Vara Criminal de Niterói.

“Na minha petição eu peço as imagens das câmeras presentes no local do crime. Nada foi feito para uma melhor apuração dos fatos. Nós temos as imagens da prisão feitas por homens em um carro a paisana. Estou realizando o pedido de revogação da prisão preventiva e será feita a defesa prévia que analisa o mérito do processo e são reiterados os pedidos com a junção de mais provas como as imagens e testemunho de pessoas sobre a conduta do Danilo” informou Cristiane Lemos.

Antes de ser detido, de acordo com a família, o último trabalho como assalariado de Danilo foi na Reitoria da Universidade Federal Fluminense (UFF) em uma empresa terceirizada realizando a entrega de documentos.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil não retornou os contatos. Já o Ministério Público informou que está apurando as informações sobre o caso.

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