Família acusa hospital particular de negligência médica

Raquel Morais

Uma família de São Gonçalo denuncia negligência de Clínica São Silvestre, no mesmo município. Os pais do pequeno Ryan afirmam que o recém-nascido morreu horas depois do parto por falta de ambulância com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para transferir o bebê para outro hospital. O caso deve parar na justiça e advogado do hospital defende a unidade das acusações.

Tudo aconteceu na última segunda-feira, dia 14, quando a caixa Valquíria da Conceição, 28 anos, foi internada na clínica para passar por uma cesariana. Tudo aconteceu naturalmente até o momento que a mãe viu a criança pela primeira vez. “Quando recebi meu neném ele estava bem roxinho e enfermeira levou ele para limpar e desde então não o vi mais”, comentou.

Mas a saga para o parto, em uma clínica particular, começou bem antes. Segundo relatos da moradora de Itaúna há cerca de 10 dias, após ter fortes dores ela deu entrada na unidade de saúde, foi atendida e liberada após injeção para dor. Dias depois Valquíria retornou no mesmo hospital pois as dores não cessaram, foi atendida pelo médico que fez o seu pré-natal, passou por exames como uma ultrassonografia e novamente foi liberada. “O médico disse que se tirasse o neném antes e se precisasse de UTI ia perderia o direito para UTI. E mandou voltar no dia 14. No dia 14 tava marcado para internar às 8h e cheguei por volta das 9h30min. Fiz o pagamento de R$ 2 mil e tive meu filho”, apontou.

O pai do recém-nascido, o operador de loja Wesley Alves, 32 anos, disse que viu o filho através do vidro da maternidade, onde outros bebês ficam recebendo assistência das enfermeiras. Na parte da tarde familiares e amigos do casal aguardavam para conhecerem o novo membro da família e isso não aconteceu. “Todos os outros bebês foram mostrados para os familiares e o meu não. A pediatra informou que meu filho estava com problema de respiração, estava no oxigênio e estava estável já no início da noite. Quando eu vi meu neném às 19h eu fiquei desesperado ele tava todo roxo e eu percebi que estava alguma coisa errada”, desabafou muito emocionado.

Wesley informou que após esse momento começou a perceber uma movimentação estranha para transferência do Ryan para outra unidade de saúde. “Por volta de meia noite tinha saído a vaga para a Maternidade São Francisco e o neném ia ser transferido. A encubadora mais moderna estava sendo levada por socorristas até o meu filho, quando os médicos e enfermeiros retiraram o Ryan da encubadora da própria clínica e ele teve duas paradas cardíacas. Se os médicos esperaram tanto tempo pela transferência porque não esperaram dois minutos para retirar ele de uma encubadora precária para colocá-lo na encubadora moderna em poucos segundos? Esses minutos foram cruciais para a vida do meu filho”, indagou.

A equipe de reportagem de A TRIBUNA conversou com Dr. Eumano Magalhães, advogado da Clínica, que explicou que “a parturiente tinha um filho especial. O pré natal foi todo com exames normais. Uma semana antes de ganhar o bebê compareceu ao hospital, foi atendida e retornou para a residência. O neném completou o tempo regulamentar, nasceu e horas depois o quadro clínico, que se apresentava bastante favorável, progrediu para um quadro instável. Teve acompanhamento do pediatra neonatal e o hospital adotou todos os procedimentos preconizados pelo Ministério da Saúde. Estabilizou o bebê e comunicou a Central de Regulação do Estado para solicitar um leito de UTI Neotal. Menos de uma hora estava disponibilizada a ambulância para levar o bebê mas nesse intervalo o neném veio a óbito, provavelmente por uma cardiopatia genética ou outra anomalia genética”, pontuou.

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