Falta vacina pentavalente em postos de saúde e clínicas

Raquel Morais –

Um provável erro de comunicação entre os órgãos públicos está refletindo na população. A falta da vacina pentavalente nos postos de saúde dos municípios da Região Metropolitana II está deixando até diretores de unidades preocupados. O problema acontece na rede pública e na rede privada, mas o Ministério da Saúde diz que 80 mil doses foram enviadas em julho para a Secretaria Estadual de Saúde (SES). A pasta confirma o recebimento de uma remessa no dia 12 de julho e afirma que os municípios foram comunicados para retirar os imunizantes desde o dia 14 desse mês. Apesar de todas as afirmativas, as doses não são encontradas pela população.

O médico pediatra Ângelo Gagliard, formado há 38 anos pela Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que na rede particular é aplicada a vacina hexavalente, importada, e na rede pública a pentavalente, nacional, elas podem ser substituídas apenas uma pela outra. Mas o desequilíbrio na produção do insumo no exterior fez com que os usuários da saúde particular procurassem o posto de vacinação público. “É uma vacina fundamental e a distribuição está errada, sem quantidade suficiente e previsão de entrega. Houve um desequilíbrio, quando faltou na rede privada, a população que fazia uso de vacina particular migrou para os postos de saúde para tomar a pentavalente”, analisou o diretor médico da Clipe Clínica Pediátrica, em Icaraí.

A dona de casa Stefani Bittencourt, de 18 anos, terá que levar em agosto o pequeno Arthur para tomar uma dose da vacina pentavalente e já foi informada da ausência. “Estou preocupada pois não quero que meu filho pegue nenhuma doença. Isso é muito grave”, comentou.

No Polo Sanitário Washington Luiz Lopes, no Zé Garoto, em São Gonçalo, o diretor Jorge Barcellos afirmou que desde janeiro não recebe as doses. “Estamos constantemente pedindo para o secretário municipal de Saúde realizar as comunicações com o Governo do Estado. Isso é feito, mas não recebemos ainda”, pontuou.

A chefe do setor de vacinação, Carla Verônica, disse que a procura no posto é muito grande. “Aplicamos uma média de 400 doses por dia e sempre temos essa demanda para atender e não podemos fazer nada. Mas temos todas as vacinas no calendário do Ministério da Saúde”, completou.

Na clínica particular Vacinar, em Icaraí, a dose não é aplicada há mais de dois anos. Pela tabela antiga cada uma das três doses custava R$ 300. “A procura ainda é muito grande. As pessoas não encontram na rede pública e procuram na privada. É uma proteção muito importante para os bebês”, apontou a técnica de enfermagem Scarlet Martins. Na Alergo Ar, no Centro de Niterói, as doses também não chegam desde o ano passado, conforme explicou uma funcionária. A vacina pentavalente protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e haemophilus influenza tipo B (trato respiratório). Deve ser tomada aos dois, quatro e seis meses primeiros meses de vida dos bebês. No caso da hexavalente protege também contra a poliomielite.

O Ministério da Saúde informou em nota que seis milhões de doses da vacina pentavalente estão no Brasil e foram liberadas pela Anvisa. Deste total, um 1,6 milhão foram distribuídas em julho, após aprovação do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS). Para o Rio de Janeiro, foram encaminhadas 80 mil doses. A Secretaria estadual de Saúde confirmou não ter recebido lotes nos meses de maio e junho, mas que o recebido este mês é suficiente para a atual demanda do estado e que os estoques municipais deverão estar regularizados em 15 dias.

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