Falta de radares aumenta risco de acidentes na Região Oceânica

Acidentes automobilísticos, como o que matou três jovens na semana passada, não são situações raras na Região Oceânica de Niterói. Pedestres e ciclistas temem veículos que passam em alta velocidade pelas principais vias da localidade. Uma das causas para os acidentes, apontadas por quem trafega pelas estradas e avenidas da região, é a falta de medidas para fazer com que os condutores reduzam as velocidades.

Cabe ressaltar que a operação de radares na cidade está suspensa desde o ano de 2017, quando expirou o contrato com a prestadora de serviços anterior. No ano de 2018, a Niterói Transportes e Trânsito (NitTrans) chegou a anunciar um novo pregão, com objetivo de contratar uma nova prestadora, pelo período de um ano. No entanto, no mês de dezembro daquele ano, o certame foi adiado por “necessidade de adequação”, sem data definida.

Entre os alvos das reclamações relativas a motoristas que “aceleram demais”, estão a Avenida Almirante Tamandaré, que faz a ligação com o bairro de Camboinhas e à orla de Piratininga; além do trecho da Estrada Francisco da Cruz Nunes, na chagada ao Cafubá, onde aconteceu a tragédia, na quinta-feira (8) da semana passada.
Na Almirante Tamandaré, os principais afetados são os ciclistas. No trecho onde ficava o antigo Bar do Meio, quem trafega, usando bicicletas, precisa subir na calçada, para ficar distante dos automóveis que passam acima da velocidade. Cabe ressaltar que o limite da via é de 40 km/h, mas, ciclistas garantem que é corriqueiro carros passarem a cerca de 100 km/h.

“Esses carros passam muito rápido, não respeitam ninguém, que passam direto por aí. Eu já fui derrubado. Os carros não respeitam. Uma vez eu estava passando e um carro abriu a porta, quase me jogou para longe. Um amigo nosso, coroa, morreu há um tempo perto do banco, de bicicleta. Eles não respeitam nada”, afirmou um pescador, de 55 anos, morador da comunidade Boa Esperança, que preferiu não ter a identidade revelada. Ele usa a bicicleta para fazer o transporte dos peixes.

Na última semana, o frentista de um posto de combustíveis, que fica poucos metros após o local do acidente dos jovens, já havia mencionado que o radar, que anteriormente funcionava na localidade, está fazendo falta. Por conta da desativação do equipamento, o trabalhador afirmou que, principalmente durante a madrugada, automóveis costumam passar por ali em alta velocidade. Cabe ressaltar que, segundo a Polícia Civil, o veículo envolvido na capotagem poderia estar a até 150 km/h.
“Acidente aqui geralmente acontece mais de madrugada porque a rua está deserta e o pessoal vem de pé embaixo. Tinha um radar que foi desativado. Com o radar, o pessoal segurava a onda por causa de multa”, disse, na ocasião, o funcionário, que preferiu não revelar a identidade. Na pista, ainda é possível ver pintada a palavra “radar”, indicando o equipamento que ali funcionava anteriormente.

Promessas não cumpridas

A reportagem de A TRIBUNA vem acompanhando a expectativa para que os equipamentos retornem à atividade. Em agosto de 2019, havia a expectativa para que 15 radares fossem reativados. O túnel Charitas-Cafubá, os mergulhões José Vicente Filho e Ângela Fernandes, ambos no Centro, a Avenida Roberto Silveira, em Icaraí, e a Alameda São Boaventura, no Fonseca, eram os locais definidos. Outros pontos seriam analisados para posterior implementação.

Em janeiro de 2020, a NitTrans afirmou que estava contratando um novo estudo técnico para refazer o edital de licitação dos radares para a cidade. A intenção era que Niterói passasse a contar com mais de 30 pardais eletrônicos. Na época, o órgão justificou que a readequação do editar se daria para que não ficasse obsoleto e passasse a abranger obras que a cidade colocava em prática na época, como o alargamento da Avenida Marquês do Paraná.

Em nota, a NitTrans informou que realiza continuamente estudos de Engenharia de Trânsito e Análise de Tráfego para implementação de ferramentas e realiza campanhas de educação no trânsito. No momento, não existe projeto para implantação de nova sinalização no local, que já possui placas alertando sobre os limites de velocidade da via.

Investigação

A investigação do acidente que matou os jovens Roberta da Costa Miranda Ribeiro, de 17 anos; Emmily de Souza Miranda, de 20 anos; e Gabriel Palmieri da Costa Gonçalves, de 19 anos está na reta final, pendente apenas a juntada de alguns laudos. De acordo com o delegado Fábio Barucke, da 81ª DP (Itaipu), responsável pelo inquérito, o motorista, Leonardo Moraes da Silva Pagani, de 19 anos, consumiu álcool antes de dirigir e será indiciado por homicídio com dolo eventual.

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