Falta de ônibus na Zona Norte de Niterói continua gerando reclamações de usuários

Passageiros reclamam do serviço prestado pelas empresas de ônibus que atendem a região

Quando o assunto em Niterói se refere à questão do transporte público rodoviário, logo se constata que a cidade parece viver duas realidades completamente distintas: a da consulta pública sobre o uso dos modernos ônibus elétricos, e a das longas filas à espera pelos tradicionais ônibus que atendem os moradores de logradouros do Fonseca, Região Norte da cidade.

Na mesma semana em que a Prefeitura de Niterói anunciou o lançamento de uma consulta pública para a população opinar sobre o uso dos modernos veículos elétricos, modelo Caio Millenium, a reportagem de A TRIBUNA percorreu os terminais de ônibus no Centro da cidade para ouvir a população sobre a atual situação do sistema.

Em reportagem realizada na segunda quinzena de maio, moradores de bairros como Caramujo, Morro do Céu e Largo do Cravinho já denunciavam diversos problemas nas linhas de ônibus que atendem a região. Passados mais de quatro meses, a situação permanece praticamente a mesma, como relata o estoquista Antônio Soares, morador do bairro Riodades.

“Há muito tempo não utilizo a linha de ônibus que passa no meu bairro. Os ônibus demoram mais de 50 minutos para passar. Não dá para calcular quanto tempo vamos ficar esperando, prefiro caminhar até a Alameda São Boaventura, onde consigo pegar um ônibus mais rápido. A caminhada dura uma meia hora, mas só assim tenho certeza que não chegarei atrasado no trabalho”, explica o estoquista, que também afirma que utiliza a mesma estratégia na volta para casa.

Assim, como já acontecia em maio, são problemas de diversas naturezas, que vão desde a redução da frota, à extinção de linhas. As linhas 21 (Fonseca – Centro) e 25 (Riodades – Centro), por exemplo, foram extintas, sendo incorporadas pela linha 23 (Teixeira de Freitas – Centro) que passou a fazer o itinerário das duas linhas. Já as linhas 28 e 29 (Largo do Cravinho X Centro) apresentam uma situação curiosa. As linhas, ambas operadas pela Auto Ônibus Brasília, antes independentes, foram fundidas numa única linha. No sentido Centro, o ônibus circula no itinerário da linha 29, enquanto que no sentido Largo do Cravinho, a mesma linha opera no itinerário da linha 28. Além disso, rodoviários, tanto da Auto Viação Ingá, quanto da Auto Ônibus Brasília, confirmam que as linhas citadas acima estão operando apenas com dois veículos e que, por isso, o intervalo entre as viagens pode chegar a 50 minutos. Outras linhas também se encontram nessa mesma situação, como a 26 (Morro do Céu – Centro, via Jerônimo Afonso).

O aposentado Manoel de Paiva afirma que não há outras opções de linhas
para seu bairro

O aposentado Manoel de Paiva, de 72 anos, usuário da linha 28 (Largo do Cravinho X Centro), explica que a espera é longa. “O ônibus demora muito. Se tiver sorte de pegar ele aqui, na hora, tudo bem, mas se não conseguir, a espera pelo próximo dura mais de uma hora, e isso é assim, todos os dias. Essa é a única linha que passa próximo à minha casa. As outras opções só passam na Alameda, que fica longe e preciso andar muito, esclarece o aposentado.

Questionada sobre a situação da fiscalização da concessionária responsável pela operação das linhas citadas na reportagem, até o fechamento desta edição, a Subsecretaria Municipal de Transporte de Niterói não respondeu aos nossos questionamentos. Também solicitamos esclarecimentos sobre as situações abordadas pela reportagem ao Sindicato da Empresas de Transportes Rodoviários (Setrerj). No entanto, até o fechamento desta edição, o Setrerj também não respondeu aos questionamentos.

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