Falta d’água no Boa Vista completa mais de 30 anos

Raquel Morais –

Desde a década de 1980 moradores do bairro Boa Vista, em São Gonçalo, sofrem com a falta de estrutura para abastecimento de água. Imóveis em ruas como Guarupe, Madureira e Magalhães Bastos sequer possuem hidrômetro. Os moradores e comerciantes precisam comprar caminhões-pipa duas vezes por mês ou captar água da chuva.

O técnico em segurança do trabalho Eudson Cândido, de 61 anos, disse que tenta solucionar o problema há 37 anos, que não é só da sua casa e sim de todo o bairro e da sua rua, a Madureira. Para driblar a falta de água, ele gasta R$ 180 para comprar pipa, a cada 15 dias para abastecer sua cisterna e caixa d’água. Mas a chuva ainda é aliada do gonçalense, que fez um sistema próprio de captação da chuva para abastecer sua casa. Os canos recolhem a água da laje, que passa por um filtro improvisado (um pano) e enche a cisterna.

“Essa foi a forma que encontrei de economizar. Parte da sujeira da água fica no pano e minha cisterna fica com um pouco de água. Eu rezo para chover todo dia”, lamentou.

Moradora da mesma rua, a dona de casa Rosimar Machado, de 34 anos, tem uma filha de 8 e contou como sofreu para criar a menina sem água encanada. “Temos poço no quintal, mas a água não é confiável e tinha que ferver para fazer tudo. Hoje tenho que fazer a mesma coisa, mas com menor frequência, mas é muito desagradável isso”, reclamou.

O funcionário de uma empresa na Rua Guaporé, Renê Vasconcelos, de 57 anos, disse que passa pelo mesmo problema. Os dois dedos de água na cisterna terão que render até compra da próxima pipa d’água. Na Rua Magalhães Bastos o mesmo acontece, assim como as outras ruas do bairro. “Achei que com a criação do Piscinão de São Gonçalo a infraestrutura do bairro fosse melhorar e iríamos parar de sofrer com esse problema de falta de água, mas isso não aconteceu. É muito frustrante”, comentou um morador que preferiu não se identificar.

Em nota, a Cedae informou que o conjunto de obras para assentamento de rede de água nesta região estava sendo executado, mas foi interrompido devido à crise financeira do Governo do Estado. Como a obra está a cargo da Secretaria de Obras, a companhia irá pleitear junto ao órgão a melhor forma de dar continuidade ao projeto.

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