Fake news diz que Búzios adotou tratamento precoce contra a Covid-19

A Prefeitura de Búzios desmentiu que cidade tenha adotado medicamentos em um protocolo de tratamento precoce contra a Covid-19. Publicações nas redes sociais disseram que o município zerou as internações de pacientes com a infecção. Porém, no painel de dados divulgado no Facebook da cidade, indica que até sexta-feira (19), 18 leitos eram ocupados por pacientes em tratamento pela contaminação do coronavírus.

O prefeito Alexandre Martins atribuiu a desocupação de leitos à medidas como triagem rápida de pacientes, instalação de barreiras sanitárias, campanhas de conscientização e fiscalização nas ruas e estabelecimentos.

Segundo Martins, a cidade não adota oficialmente nenhum protocolo de uso de medicamentos para tratar precocemente a Covid.

“Quando se fala em tratamento precoce não é o medicamento, mas o atendimento precoce, já que é uma doença que evolui rápido. Aliás, não tenho visto nenhum médico daqui indicar cloroquina”, disse.

No dia 11 de março, novo decreto municipal determinou que as ações devem continuar por mais 30 dias.

Desinformação – Publicações enganosas que relacionam ausência de internações por Covid-19 à adoção de “tratamento precoce” contra a doença têm circulado nos últimos dias nas redes sociais. Na última quarta-feira (17), o Aos Fatos checou esse tipo de desinformação associada à cidade de São Lourenço (MG). No entanto, a desocupação de leitos não comprova que o uso de algum medicamento funciona contra a infecção.

De acordo com Mellanie Fontes Dutra, biomédica e pesquisadora, a eficácia de qualquer remédio deve ser avaliada com rigor científico por meio de ensaios clínicos grandes, controlados, randomizados e cegos para eliminar o máximo de influências que possam interferir no resultado.

“Esses estudos devem ser bem conduzidos para gerar evidências com boa qualidade, respaldadas por uma boa metodologia e análise”, disse a pesquisadora.

Estudos mais aprofundados publicados até o momento, não encontraram benefícios no tratamento da doença causados pelo uso de drogas como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, comumente citadas por defensores do “tratamento precoce”.

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