Faixa de areia é disputada por mais de 1 milhão de turistas

Wellington Serrano

Oficialmente, o Carnaval começa no fim de semana, mas as altas temperaturas registradas recentemente já estão atraindo levas de turistas para as praias da Região dos Lagos, que devem receber um número de visitantes 15% maior em relação à temporada 2015/2016 devido ao cancelamento da festa nas cidades de Santo Antônio de Pádua, Bom Jesus do Itabapoana e Itaperuna, no Norte do Estado, além de Itaboraí, Rio Bonito e São Gonçalo no Leste Fluminense, e Araruama, na Região dos Lagos.

No período anterior, as cidades litorâneas recepcionaram aproximadamente 1,2 milhão de pessoas entre dezembro, janeiro e fevereiro, segundo levantamento da Secretaria de Turismo de Cabo Frio. De acordo com dados do órgão, cerca de 800 mil pessoas de todo o país passarão o Carnaval na cidade, em especial os foliões dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de visitantes de outros países, como Argentina e Chile. Em Búzios, a Secretaria de Turismo espera 300 mil turistas e a de Rio das Ostras estima que 150 mil pessoas se desloquem em direção ao município.

De acordo com Alexandre Silva, vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Cabo Frio, uma temporada mais enxuta, com o carnaval em fevereiro, é benéfica para a região, pois os turistas tendem a estender a estadia até o fim da folia. “Essa é a chance da recuperação do nosso comércio, que foi afetado em 15% com a movimentação de dispensa, isso é com as homologações que aconteceram nas demissões”, aposta Alexandre.

Com o início do Carnaval, o sindicato confirma que a expectativa é que cerca de um milhão de pessoas caiam na folia das praias de Cabo Frio, mas devido ao período de crise o órgão não sabe como vai ficar o movimento neste período. “Nossos turistas muitas das vezes são servidores, professores e profissionais que foram afetados com o caos financeiros que tomou conta de todos”.

Esperança
A estimativa de mais turistas traz esperança aos comerciantes da região, que por enquanto ainda não viram o movimento crescer. “Nessa época, no ano passado, já tínhamos muitos turistas da Argentina, do Paraguai e da Bolívia, que sempre vêm para cá”, comenta Carlos Eduardo, proprietário de duas lojas na feirinha. Ele acredita que a falta de infraestrutura afugenta os visitantes. “Acho que poderíamos atrair muito mais turistas. Porque eles vêm, mas acabam não voltando no ano seguinte porque não temos muita estrutura. A prefeitura não promove a segurança”, queixa-se.

Estrutura
Turistas percebem, de cara, o que é que falta no Litoral. A qualidade da infraestrutura urbana impacta diretamente a percepção dos turistas. Também a falta de investimento ou o atraso em obras que já deveriam estar concluídas são notados como consequência a superlotação das cidades vizinhas.

A paulista Maria do Carmo Souza, de 47 anos, visita Búzios pela terceira vez com a filha. Na avaliação dela, a cidade não possui estrutura de hospitais para receber turistas, mas ganha pontos pelo mar limpo e manso. “É praia para quem realmente quer sossego, porque comércio é muito caro e saúde não funciona. A praia é muito boa, mas muitos quiosques e barracas ainda nem abriram e não têm banheiro”, lamenta.

Procurada, a Prefeitura de Búzios não se posicionou sobre o serviço prestado pela rede municipal de Saúde. Os moradores, cansados com a superlotação na cidade, que carece de infraestrutura, prometem participação hoje durante Audiência Pública na Câmara dos Vereadores que vai debater o imbróglio que sempre piora nesta época do ano.

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