Fafá de Belém e as guitarras do Pará no Municipal de Niterói

Fafá de Belém volta à Niterói para duas apresentações no Teatro Municipal nos dias 24 e 25, às 20h, com o show “Fafá de Belém e as Guitarradas do Pará”. No espetáculo, a cantora será acompanhada pelo duo Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, os mestres da guitarrada paraense.

O show mistura clássicos da carreira à canções do CD “Do tamanho certo para o meu sorriso”, que ganhou o Prêmio da Música na categoria “Melhor Álbum, Canção Popular” – e com o qual a intérprete também foi laureada com o troféu de “Melhor cantora”. Os músicos Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, produtores do disco, também arrasam em seus números instrumentais.

A cantora fará uma viagem no tempo e em sua própria história, percorrendo atitudes, gestos, memórias, referências, relembrando Belém do Pará e as muitas fases de vida e trajetória. Neste show, Fafá irá relembrar hits como “Foi Assim”, “Filho da Bahia”, “Sob Medida”, “Nuvem de Lágrimas” e “Vermelho”, dentre outros, além de apresentar canções do novo álbum, como “Asfalto amarelo” e a mais recente faixa de trabalho do disco: “Meu coração é brega”.

Então vamos falar sobre Fafá. Olha que conheço a história da tal MPB e de muitos de seus representantes considerados máximos. Pois bem. Fafá, há algum tempo, evoluiu/voou do estágio de cantora para o patamar de intérprete. Vôo raro. Isso significa conhecimento, evolução e invenção. Ela hoje canta o que quer, porque sua presença se sobrepõe a qualquer roteiro, compositor ou escolha de repertório. Isso é virtude e alcance. O difícil. Alcançar harmonias de canções que traduzem vida, experimentos e bifurcações.Ninguém no Brasil teve (ou tem) um estilo único, regional. Em Fafá (e com Fafá) isso se torna mais evidente: a geografia musical da sua garganta é imensa e traduz um aglomerado de riquezas e contradições. Isso se diz criar. Pegar, entender e solfejar. Uirapuru piou. Uirapuru voou.Fafá de Belém traz um sobrenome que a poderia reduzir como artista. Mas o desafio dela sempre foi anular esse mapa, esse pouso, sem dispensar as ventanias regionais do canto, mas abrindo-se em rotas de descobertas para cantos urbanos, animados, ritmados, tristes, desoladores, políticos, avançados e delicados. A possibilidade do termo tudo.Viva ela. Vitória-régia que flutua no espaço sideral da sempre imensa e interminável e inenarrável e misteriosa música popular desse lugar que se chama Brasil.

No exterior, o público lusitano, que a acolheu como uma típica compatriota, foi o mais seduzido pelo talento desta intérprete visceral que canta, com emoção, o que a arrepia sem render-se a modismos. Ao contrário, em certos momentos, tornou-se até pioneira, abriu caminhos para estilos e tendências. Gravou lambada quando ninguém nem sabia do que se tratava; conseguiu chegar às fms com uma canção sertaneja, “Nuvem de Lágrimas”: a primeira de um gênero considerado brega a ser executada nas rádios fms do Rio (até então consideradas elitizadas).Voltando aos patrícios, a cantora é tão prestigiada em Portugal que ganhou, em 2011, a “Medalha do Turismo”, e um dos seus maiores sucessos – a canção “Vermelho” (Chico da Silva) – é um dos hinos da torcida do Benfica. Não foi à toa que Fafá, descendente de portugueses, em janeiro de 2013, solicitou sua dupla cidadania. Cantora dos grandes amores, desamores, das causas passionais, a artista arrebatou, desde o início, não só o público mas também alguns dos maiores nomes da MPB. Em seus álbuns, músicas feitas ou não para ela mas que pareciam sempre exibir o seu “dna”, explodiram em sua voz. Eram presentes e mais presentes de ícones como Milton Nascimento, Chico Buarque, Suely Costa, Ivan Lins, Fernando Brant, e também de conterrâneos ilustres como Paulo André e Ruy Barata. Estes últimos, que compuseram canções como “Foi Assim” e “Pauapixuna”- megasucessos da carreira de Fafá. “Tamba Tajá”, que titulou o álbum de estreia, foi composta por Waldemar Henrique, outra figura lendária de sua terra natal. “Sedução” e “Raça”, de Milton e Brant, as músicas “Dentro de mim mora um anjo” (Suely Costa/Cacaso) e “Bilhete” (IvanLins/Victor Martins) soam como marcas registradas e, praticamente, definitivas em sua voz.

A classificação etária é livre e os ingressos custam R$ 90. O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua XV de Novembro, 35 no Centro. Mais informações pelo telefone (21) 2620-1624.

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