Faetec: aulas e paralisação em duas horas

Raquel Morais –

O segundo semestre das aulas da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), no Barreto, Zona Norte de Niterói, começou nesta segunda-feira (07), mas em poucas horas já foi cancelado. Os encontros no pátio, atualização das conversas entre os amigos e os estudos duraram das 7h às 9h de ontem. Os alunos foram liberados por falta de professores, que anunciaram paralisação. A greve deverá ser decretada nesta quinta-feira. Os alunos não gostaram da novidade e clamam por atenção do poder público.

De acordo com a Faetec, o ano letivo da Educação Básica e do Superior voltaria nesta segunda, mas apenas em um turno, ou em rodízio, como os alunos chamam. A estudante de técnico em máquinas navais, Giulia Bustamante, de 16 anos, disse que essa medida acontece desde o período passado.

“Quando falta o almoço a gente estuda apenas em um turno e ganha o lanche. No final do período passado, o almoço tinha retomado, mas voltamos hoje (segunda-feira) e já está tudo pior do que quando saímos de férias”, comentou.

Em nota, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) informou que essa medida não afeta o calendário escolar, já que o conteúdo será dado de forma alternada e não haverá prejuízo no contraturno.

O aluno do curso de construção naval, Sandro Pimentel, de 16 anos, revelou que ontem teve apenas duas aulas: sociologia e inglês. A colega de escola, Isabeli Brito, 16 anos, estuda eletrônica e também só teve duas aulas, de laboratório digital e analógico. “Quero estudar e me formar logo. Estudei muito para passar para a Faetec e agora não tenho aula. Isso é injusto”, reclamou a niteroiense.

Além da alimentação ruim, a falta de pagamentos de funcionários e condições de trabalho desfavoráveis foram algumas das justificativas para a interrupção das aulas. A secretaria informou que não foi notificada sobre a greve dos professores da Faetec. O secretário Gustavo Tutuca, que assumiu o cargo na última quinta-feira, destacou que houve um esforço grande para reabrir as unidades de educação básica e ensino superior. Tutuca tem feito reuniões com o corpo técnico da pasta e com a Secretaria da Fazenda para encontrar soluções para pagar salários e custeio da Fundação.

MAIS PROBLEMAS NA EDUCAÇÃO ESTADUAL
Outro problema na educação estadual está acontecendo no Colégio Estadual Pandiá Calógeras, em São Gonçalo, onde os professores e representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação Niterói (Sepe Niterói) promoverão uma manifestação amanhã, às 13h, com concentração em frente à escola. O grupo quer reivindicar o fechamento de 17 turmas e o remanejamento desses alunos para outras salas de aula da mesma unidade. Além da superlotação nas classes, problemas estruturais e físicos também serão mostrados pelos profissionais da educação.
O diretor do Sepe Niterói, Luiz Cláudio, explicou que a escola continua funcionando, com turmas do primeiro ano do médio, segundo e terceiro. “Os alunos continuam na mesma escola e superlotaram as salas. Isso prejudicial para o aluno e professores, o ensino em uma turma cheia é difícil para reter a atenção”, explicou.

Já em Niterói, no Colégio Estadual Joaquim Távora, em Icaraí, os alunos reclamam da falta de professores. “Na semana passada não tive aula por dois dias e tínhamos acabado de voltar das férias”, comentou um aluno que não quis se identificar. Na mesma unidade, os alunos continuam reclamando da qualidade da merenda, que se resumiria a três biscoitos água e sal. No Raul Vidal, no Centro, a preocupação é com a segurança. Os alunos reclamam da falta de policiamento.

“O ensino público está complicado. O Raul Vidal absorveu alunos do Colégio Estadual Brigadeiro Castrioto (Cebric) e mais uma vez lotou a escola, com uma demanda que fica difícil de ser assistida”, completou Luiz Cláudio.

A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) esclareceu que seis turmas do Colégio Estadual Pandiá Calógeras, que contavam com menos de 20 alunos da mesma série e mesmo turno foram otimizadas, sem exceder a capacidade física estabelecida por lei da sala de aula e sem transferência de unidade ou turno. Em relação à merenda do Colégio Estadual Joaquim Távora, em Niterói, a alimentação está sendo servida normalmente. A Secretaria de Educação ressaltou que o cardápio da merenda escolar é elaborado por nutricionistas e atende às recomendações nutricionais estabelecidas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), portanto, dentro da legalidade. Nesta escola, inclusive, o cardápio está afixado no refeitório. Além disso, as aulas no C.E. Joaquim Távora ocorreram todos os dias na última semana.

Quanto às questões de segurança, o Colégio Estadual Raul Vidal, no Centro de Niterói, é atendido pela Ronda Escolar da Polícia Militar, com patrulhamento e monitoramento e oferecendo o apoio necessário. Os banheiros desta escola estão funcionando normalmente.

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