Faculdade de Cinema da UFF passa ser Patrimônio Cultural de Niterói

A cidade de Niterói deu mais um importante passo na direção de se tornar, em breve, um importante polo audiovisual. O prefeito Rodrigo Neves sancionou, na quinta-feira, o projeto de lei do vereador Leonardo Giordano (PCdoB), tornando o Curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) Patrimônio Cultural e Imaterial de Niterói. O curso tem como símbolo de pioneirismo o cineasta Nelson Pereira dos Santos, falecido em abril do ano passado.

A professora Elianne Ivo, coordenadora do curso de Cinema e de Bacharelado da UFF, explicou que o curso foi criado por iniciativa do cineasta e completou 51 anos em 2019. “É um prêmio justíssimo esse reconhecimento. O Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF (Iacs) foi inspirado por ele. Deu origem a outros cursos, inclusive de Comunicação Social. Hoje temos cerca de 380 alunos no curso de Bacharelado e a Licenciatura. Nos anos 60, Nelson trouxe sua experiência para o Rio, após uma tentativa frustrada em Brasília, por causa da ditadura, que fechou sua a escola (UNB). Criou então o curso de Cinema inserido dentro do curso de Comunicação. O Bacharelado foi criado em 2008, mas já existia o curso. Antes era Comunicação, com habilitação em Cinema”, explicou Elianne.
A coordenadora acrescentou ainda que o cinesta se aposentou e se tornou p
rofessor emérito, pelos importantes serviços prestados à instituição, a qual fazia questão de estar sempre presente nas atividades acadêmicas. “É uma escola que mantém sua concepção, da teoria à prática, de onde foram projetados grandes nomes do cinema nacional, como Tizuka Yamasaki, Gustavo Pizzi, Eduardo Nunes, e Allan Deberton, este último grande vencedor do Festival de Gramado desse ano”. Ela ainda citou que na instituição os alunos ainda desenvolvem o talento como roteiristas e fotografia, entre outros caminhos voltados para a chamada “sétima arte” e TV.

“Muito do que me atraía na fase de vestibular era uma ideia romântica e o fascínio pelo cinema. Sabia que o contexto era difícil e instável. Refleti e descobri que valia a pena. O ambiente é bacana com professores e outros alunos. Mudou toda minha concepção”, afirmou Théo de Figueiro, de 20 anos, aluno do 4º período.

Já seu colega, também de 4º período, Dioniso Castro, de 19 anos, frisou que o curso de cinema mudou vários de seus conceitos. “Hoje observo filmes e outros trabalhos com uma visão mais técnica e com mais riqueza de detalhes. Consigo visualizar o que há por trás disso, uma visão de referência”.

O autor do projeto de lei sancionado, vereador Leonardo Giordano, destacou que o tombamento será muito importante para a cidade. “Niterói foi a primeira cidade do Brasil a ter uma faculdade de Cinema. Acabamos de inaugurar a Sala Nelson Pereira dos Santos [no dia 3 de outubro, no Museu Petrobras de Cinema]. A cidade já serviu de locação para vários filmes e produziu diretores e artistas de sucesso, que construíram sua trajetória em Niterói. A cidade está preparando um grande edital voltado para o audiovisual. Esse tombamento tem a ver com o futuro da cidade”, afirmou Giordano, que revelou ainda que já estão em andamento as obras para erguer o novo prédio do Iacs, no bairro São Domingos.

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