Exército bem tímido em Niterói

Geovanne Mendes

Todo mundo sabe e quase ninguém viu. Assim podemos descrever a operação do Exército, solicitada pelo governador Luiz Fernando Pezão e autorizada pelo presidente da República Michel Temer, nas ruas de Niterói.

Em uma ronda na tarde desta quinta-feira (16) pelas ruas do Centro e da Zona Sul, a reportagem de A TRIBUNA encontrou apenas nove militares concentrados na Boa Viagem. Nas barcas, local de grande movimentação de pessoas, somente uma viatura da Polícia Militar com dois agentes fazia a segurança de quem passava pelo local. Observamos mais adiante, também no Centro, próximo ao Plaza Shopping, onde agentes da Guarda Municipal circulavam pela região, mas nada do Exército, que foi solicitado para dar auxílio à Polícia Militar depois que familiares de PMs começaram uma onda de protestos ameaçando a saída dos policiais dos quartéis de todo o Estado.

A nossa equipe seguiu a ronda em busca de militares e passou pela praia de Icaraí e em toda extensão da orla também não foram vistos militares do Exército. Apenas em frente ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) uma guarnição com nove soldados armados estava observando a passagem dos carros que seguiam pela Avenida Almirante Benjamin Sodré, o que gerou dois tipos de sentimentos por quem passava pelo local: sensação de segurança e surpresa.

Exército em Niterói

Moradora do bairro do Ingá ha 20 anos, a auxiliar de administração Munique Ferreira, de 30 anos, se diz aliviada com a presença dos militares.
“Estou muito feliz com eles aqui. É muito bom saber que o Exército está se preocupando com a nossa segurança, ainda mais aqui no Ingá que está muito perigoso e com inúmeros assaltos de dia ou à noite. Enfim, fico aliviada”, comemorou.

Vendedor de coco em frente ao MAC há anos, André Luis garantiu que os soldados do Exército já passaram pelo local outras vezes ao longo do dia, mas que parar foi a primeira vez, por coincidência 20 minutos antes da reportagem chegar ao local.

“Eu já vi eles passando por aqui de carro desde que essa operação começou, mas é a primeira vez que eles param por aqui”, analisou.
Surpresa e feliz ao mesmo tempo com a presença dos soldados, a costureira Elaine Santiago, de 34 anos, diz que sempre faz exercícios pelo local e nunca viu a presença do Exército por ali, inclusive desde a última terça-feira quando a operação começou efetivamente na região. Apesar disso, ela se diz muito feliz com a operação militar no bairro e na cidade, mesmo sendo de forma tímida.

“Eles chegaram aqui há 20 minutos, passo aqui o dia inteiro, corro, vou trabalhar, enfim, nunca vi os soldados do Exército aqui, mas mesmo assim fico feliz e espero que eles continuem por tempo indeterminado, fazendo a nossa segurança e garantindo a nossa paz”, concluiu.

Mas o grupo não vai ficar por tempo indeterminado. De acordo com a assessoria de imprensa do Comando Militar do Leste, os oito mil militares do Exército que foram disponibilizados para a Região Metropolitana, que inclui Niterói, ficarão em atividades até o próximo dia 22, prazo que pode ser estendido caso os protestos continuem.

“O Exército Brasileiro está com oito mil militares posicionados na Transolímpica, Vila Militar e Deodoro e em parte da Avenida Brasil, além das praias de Icaraí e São Francisco, no município de Niterói, e alguns pontos no município de São Gonçalo. A previsão é de que a tropa fique nas ruas até o dia 22 de fevereiro, mas conforme declaração do Ministro da Defesa Raul Jungmann, durante coletiva de imprensa no Salão Nobre do Comando Militar do Leste, “a operação poderá ser ampliada, dependendo apenas da avaliação do cenário”, explica a nota.

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