Ex-secretário estadual de Saúde é preso pela Polícia Federal

Augusto Aguiar –

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (11) a Operação Fatura Exposta com o objetivo de desarticular um grupo criminoso responsável por fraudes em procedimentos licitatórios do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e da Secretaria Estadual de Saúde. A operação, nova fase da Lava Jato no Rio, foi realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal. Entre os presos estão: Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do governo Sérgio Cabral, e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita.

Cem policiais federais cumpriram três Mandados de Prisão Preventiva, 20 Mandados de Busca e Apreensão e três Mandados de Condução Coercitiva na capital e nos municípios de Mangaratiba e Rio Bonito. As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ. As investigações, iniciadas há cerca de seis meses, indicaram a participação Côrtes no esquema. Ele também é ex-diretor administrativo do Into, e também dos empresários Iskin e Estelitta, apontados como líderes do setor de fornecimento no estado de equipamentos hospitalares. A prisão do trio, com base na delação do também ex-subsecretário de Saúde César Romero, descortinou outra escandalosa e milionária rede de fraudes na área de Saúde, ligada ao governo Sérgio Cabral. Os servidores públicos envolvidos direcionavam licitações para beneficiar empresários investigados, em troca do pagamento de propina no valor de 10% dos contratos. Os presos foram indiciados por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A operação Fatura Exposta é mais um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio. Três Mandados de Condução Coercitiva, contra Sérgio Eduardo Vianna Junior, Marco Antônio Guimarães Duarte de Almeida e Rodrigo Abdon Guimarães, e Mandados de Busca e Apreensão em diversas empresas suspeitas de ligação com o esquema também foram implementadas.

Em 2007 a Saúde do Rio também enfrentava sérias dificuldades, quando Sérgio Cabral assumiu o Governo do Estado e convidou Sérgio Côrtes para a pasta. Segundo as investigações, Cabral recebeu vantagens indevidas de todas empresas contratadas pela Secretaria de Saúde. Num jantar Côrtes chegou a dividir a mesa com Cesar Romero, ex-assessor jurídico do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e ex-subsecretário de Saúde, que se tornou delator do esquema.

O delator revelou ainda que os valores seriam divididos da seguinte maneira: 5% para Cabral, 2% para Côrtes, 1% para Romero, 1% para o Tribunal de Contas do Estado e 1% para o esquema. As propinas eram pagas em contas em bancos dos Estados Unidos, para ocultar o real proprietário. O MPF sustenta ainda que Côrtes tentou “embaraçar as investigações” e chegou a ir ao escritório de Romero para combinar os temas que seriam incluídos no acordo de delação premiada. A conversa foi gravada.

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