Ex-PM é preso acusado de estuprar a própria filha

Depois de sofrer por anos calada e tentar suicídio por três vezes, uma mulher de 21 anos denunciou os estupros cometidos contra ela pelo seu próprio pai durante sete anos. O cenário de terror foi realidade na vida da vítima entre os seus 10 e 17 anos. Hoje (1) pela manhã, o ex- policial militar e atual motorista de aplicativo, Rogério Fonseca de Oliveira, de 56 anos, foi preso por policiais da 79ª DP (Jurujuba) no bairro de Vila Geny, na cidade de Itaboraí. O autor dos crimes teve um mandado de prisão temporária expedido pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Niterói no último dia 28. Rogério confessou na delegacia a autoria dos crimes, mas tentou justificar os seus atos dizendo que praticou os crimes a partir dos 14 anos da filha.

“Ele é pai biológico da vítima e cometeu os abusos dos 10 aos 17 anos dela. As investigações duraram cinco meses. Diversas pessoas foram ouvidas no inquérito. Irmão, mãe, amigas… O acusado irá responder por estupro de vulnerável e estupro. As penas podem ultrapassar os 15 anos de prisão. Nós estamos investigando sobre a existência de outras vítimas e não descartamos essa possibilidade. Foram apreendidos com ele dois celulares e um notebook. Eu pedirei à Justiça pela análise dos aparelhos para a verificação se há alguma imagem dos crimes, porque ele alega que os atos violentos foram filmados”, informou o delegado titular da 79ª DP, Gabriel Ferrando.

Os responsáveis pela investigação dos crimes relataram sobre a criação de uma força tarefa e sobre o colhimento de um contundente acervo de provas contra Rogério. O acusado foi encontrado na casa da sua mãe. Ele já saiu de onde morava há cerca de dois anos.

De acordo com os relatos da vítima, uma das frases mais marcantes ditas pelo seu estuprador foi sobre as marcas deixadas em sua vida serem reconhecidas por qualquer pessoa que ela viesse a se relacionar. A vítima ainda relatou sobre a dificuldade em lidar consigo mesma depois dos inúmeros abusos sofridos. Disse sobre o pai a perseguir na rua, criar perfis falsos em mídias sociais para falar mal dela e se passar por ela em conversas. A vítima informou também sobre o comportamento anormal do pai em relação a ela ser percebido por quem chegava a ter contato com eles. Declarando querer justiça, a vítima disse em relato sobre desejar que todo o seu esforço em reviver os momentos traumáticos no decorrer da denúncia sirvam até mesmo para alertar outras possíveis vítimas de estupro.

“A vítima alegou ter necessitado de suporte psicológico durante um período da sua vida e ter atentado contra a sua vida algumas vezes devido ao trauma. A mãe trabalhava fora como cuidadora de idosos e só foi ter ciência, noção do que aconteceu, agora, bem depois do fato. A vítima só teve coragem de contar para a mãe anos depois”, contou o delegado.

Além da violência física, a vítima sofria intensas ameaças do pai e só conseguiu denunciar os abusos anos depois.

“Ele ameaça a vítima de morte. Dizia que iria divulgar os vídeos com ela na internet. Uma série de intimidações e ameaças contra a vítima. Monitorava a vida dela, as suas mídias sociais, as amizades. Tinha receio de que ela o denunciasse”, finalizou Gabriel Ferrando.

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