Ex-PM condenado por assassinar jovem em SG é preso

Quase 15 anos após ação que resultou na morte de um jovem de 22 anos, em São Gonçalo, o ex-policial militar Marcelo Camillo Barbosa foi preso, na cidade de Maricá, e irá iniciar o cumprimento de sua sentença. O ex-agente de segurança foi encontrado por policiais civis da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG), na manhã desta terça-feira (20).

O mandado de prisão condenatória contra Marcello foi emitido em 30 de março de 2016, ou seja, ele estava foragido há cinco anos. A equipe da DHNSG, após trabalho de investigação e monitoramento, conseguiu descobrir o atual endereço do acusado. Ele foi encontrado em uma casa, na Rua do Pioneiro, distrito de Itaipuaçu e não resistiu à abordagem.

Ele e outros dois policiais militares, lotados no 7ºBPM (São Gonçalo), à época do crime, foram condenados a 18 anos de prisão e à exclusão dos quadros da corporação, pelo Tribunal do Júri da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, em 2016. Marcelo foi conduzido à carceragem da DHNSG e, de lá, será encaminhado ao sistema prisional, onde iniciará o cumprimento da pena.

Assassinato e adulteração da cena do crime

Na noite do dia 29 de junho de 2006, por volta de 21h, a vida da família do jovem Erisson Santos de Oliveira seria acometida por uma tragédia. Segundo relato de familiares à época, o jovem saiu de sua casa, na Rua Amaro Ferreira, no Morro da Força, bairro Porto do Rosa, em São Gonçalo, para encontrar sua esposa. O rapaz não conseguiu chegar a seu destino.

Metros adiante, ele foi subitamente alvejado por policiais militares, ao ser supostamente confundido com um criminoso. O pai da vítima, que estava no interior do imóvel, narrou, em seu depoimento em plenário, os momentos de pânico que se sucederam, até que descobrisse que havia acabado de perder seu filho.

“O filho do depoente saiu para ir buscar a esposa; que o depoente ouviu o portão de sua residência, que é bem alto e tem cerca de dois metros e pouco de altura, bater; que passados alguns segundos, ‘dois ou três’ salvo engano, o depoente ouviu os disparos; que o depoente soube através de vizinhos que os policiais estavam escondidos atrás de duas Brasílias velhas que estavam estacionadas na porta da casa do depoente, cada uma de um lado da rua, e a vítima passou entre as duas; que os Policiais não pararam a vítima para lhe perguntar nada”, diz o trecho do processo que ilustra o depoimento do pai.

Além da execução, tanto o pai quanto outras testemunhas narram que os três policiais ainda tentaram forjar a cena do crime, para parecer que Erisson havia entrado em confronto com os agentes. Segundo afirma o processo, os policiais, atiraram a esmo e contra o muro da casa da família a fim de tentar simular um possível confronto. Além disso, teriam colocado uma arma na mão esquerda de Erisson, que era destro, acionado o gatilho e posto drogas em um dos bolsos do rapaz.

Cabe ressaltar que Marcelo chegou a ser preso preventivamente, entretanto teve alvará de soltura concedido, em 22 de outubro de 2009, pela juíza Patrícia Acioli, responsável pelo processo à época. Acioli foi assassinada em 12 de agosto de 2011, na cidade de Niterói. A Polícia Civil concluiu que Acioli foi morta por policiais militares, que estariam insatisfeitos com a atuação dela contra um grupo de agentes que cometia homicídios e extorsões, em São Gonçalo.

Vítor d’Avila

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