Ex-ministro é chamado de mentiroso na CPI da pandemia

Abandonado pelo Planalto, o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, negou ontem (18) durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPI) da Pandemia, que sua gestão no Itamaraty tenha prejudicado o processo de aquisição de vacinas e insumos e deixou claro que os erros na gestão da pandemia não foram de sua responsabilidade. A todo momento, ele joga toda a responsabilidade para o Ministério da Saúde, comandado pelo depoente de hoje (19), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Antes de responder às perguntas dos senadores, ele apontou que adquirir vacinas não é função da diplomacia.

“Antes de mais nada, eu gostaria de destacar que o Itamaraty atua e atuou como parte do Governo Federal dentro da sua esfera legal de competências, em coordenação com outras pastas. Nesse caso, muito especialmente, o Ministério da Saúde, e não de maneira avulsa ou autônoma”, declarou.

Respondendo às perguntas dos senadores, a estratégia de colocar a culpa no ministério dirigido por Pazuello continuou. Questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a respeito da carta da Pfizer para aquisição devacinas, ele disse que sabia, mas que não era de sua competência.

“O embaixador [dos EUA] me informou desse documento em 12 de setembro. O telegrama já mencionava que já tinha dado o conhecimento direto ao Ministério da Saúde, a quem, a nosso entendimento, cabia tratar do assunto”, declarou.

Ele se isentou também da responsabilidade na compra da hidroxicloroquina. Ao confirmar a troca de mensagem para a aquisição dos medicamentos, ele lembrou que no momento que isso ocorreu a cloroquina era considerada uma esperança para o tratamento da Covid-19, mas que tomou a iniciativa após um pedido do Ministério da Saúde.

Araújo teve ainda que responder por suas declarações em um artigo de abril de 2020 no qual ofendia a China chamando o coronavírus de “vírus ideológico” e “comunavírus”. O presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AL), questionou essa postura não causaria indisposição na relação entre os países. O ex-ministro disse não concordar com a avaliação e argumentou que o crescimento do comércio brasileiro com esse país fornece indícios de que havia uma boa diplomacia. “Pelos dados que eu consultei dos quatro primeiros meses de 2021, dos quais três transcorreram a minha gestão no Itamaraty, houve um aumento significativo das vendas brasileiras para a China”, afirmou Araújo, negando que tivesse feito alguma “declaração antichinesa”.

Após essa fala, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) acusou o ex-chanceler de ter uma “memória seletiva” e lembrou as falas que ele fazia em blogs e redes sociais contra a China e o governo chinês e requiriu ofícios do Ministério das Relações Exteriores às embaixadas brasileiras que tratem de vacinas, cloroquina e todas as medicações relacionadas à covid-19.

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