Ex-militar é suspeito de fornecer arma e explosivo para jovem em Niterói

Raquel Morais –

O menor de 17 anos apreendido na noite da última terça-feira em Niterói que confessou planejar um ataque aos alunos do Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho (Iepic) segue detido esperando uma nova decisão da Justiça. A Polícia investiga o envolvimento de um ex-militar, que ajudaria o adolescente a adquirir as armas e explosivos. Ontem, o policiamento na escola pública amanheceu reforçado.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA-Niterói) e o delegado Robson Gomes contou que o adolescente tem um perfil frio e não apresentou arrependimento durante o depoimento. Ainda segundo Robson, a avó do jovem também foi ouvida e pediu a internação do neto, que seria violento e usuário de drogas. O jovem foi encaminhado ontem para o Centro Socioeducativo do Barreto, onde permanece à disposição da Justiça.

“Ouvimos o adolescente e a avó. E diante do depoimento e provas materiais [facas e máscaras] mantivemos o menor apreendido. Ele confessou tudo e a motivação seria uma rixa com três alunos do colégio. Vou seguir com a investigação até mesmo para descobrir quem seriam os aliados dele na execução dos dois crimes. Em vídeo, ele confirma a ajuda de um ex-militar que forneceria as armas e os explosivos”, contou.
Ontem, um vídeo gravado pelo jovem circulou pelas redes sociais, no qual ele alertava alunos do Iepic sobre o ataque que executaria. “Amanhã darei só dez segundos para todo mundo correr e é só isso, tá ‘meque’”. No último dia 16, o adolescente usou suas redes sociais para dizer “Ele não vai ser o único esse ano”, com uma foto do autor do ataque à escola de Suzano.

De acordo com colegas do jovem, ele é jogador de jogos online, sempre foi introspectivo e vítima de bullying na escola. “Ele mora com a avó e sempre foi mais quieto. Também sei que ele passou por muitos problemas em casa, com a separação dos pais e até abandono deles. Estou muito assustada com tudo isso”, contou uma amiga que não quis se identificar.

Ontem de manhã, o clima no Iepic não era dos melhores. Os alunos estavam apreensivos com a possibilidade do ataque, mas as aulas não foram interrompidas. “Nunca pensei em passar por uma situação como essa e parece que estou em um filme de terror. O secretário de educação, Pedro Fernandes, liga a todo momento para nos dar apoio. Vamos ter uma conversa com os alunos para esclarecer algumas coisas e estamos disponíveis para os pais que quiserem conversar com a direção”, contou a diretora Renata Azevedo, que disse estar recebendo muito apoio, inclusive da Polícia Militar, que disponibilizo um efetivo que está trabalhando dentro da unidade de ensino, que fica em São Domingos.

De acordo com as investigações, a ideia do menor era atacar o Iepic e depois explodir a passarela do Plaza Shopping, no Centro de Niterói. Em suas redes sociais, policiais encontraram ameaças, procura por armas e planos para realizar o ataque. A Justiça expediu um mandado de busca e apreensão para a residência do adolescente, que vive no Centro de Niterói com a avó, após ser abandonado pelos pais. De acordo com a Polícia, os agentes encontraram uma fantasia do seriado La Casa de Papel, além de conversas nas quais ele planejava atentar contra três pessoas com quem tinha desavença no colégio onde estuda.

ATAQUE EM SÃO GONÇALO
Na última terça-feira, 19, um aluno agrediu a professora no Ciep 126 Almedorina Azeredo, no Rio do Ouro com um caderno. O fato teria sido motivado por um telefone celular. A professora optou por não registrar o caso na delegacia, mas segundo funcionários da escola o aluno foi expulso.

SUZANO
No último dia 13 dois ex-alunos do colégio Raul Brasil entraram na escola, na cidade de Suzano, em São Paulo, e atiraram contra alunos e funcionários. Oito pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas. Além de armas, eles usaram um machado e armas medievais.

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