Ex-marido é acusado de matar diretora de escola

Augusto Aguiar –

Uma investigação da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) levou a elucidação do assassinato de uma diretora e proprietária de escola, em São Gonçalo, crime que estarreceu a opinião pública em janeiro de 2017. Na ocasião suspeitava-se que traficantes teriam matado a professora Rosemary de Souza, de 52 anos, em represália por ela denunciar a venda de drogas nas imediações da escola que administrava, no bairro de Marambaia. Mas, com o passar do tempo, ocorreu uma reviravolta no trabalho de levantamento da especializada.

Na madrugada de ontem, durante a operação Prova Concreta, agentes da DHNSG prenderam em Itaboraí, Francisco Angelo Sabóia e Érica Veiga Sabóia, acusados da morte de Rosemary. Segundo a polícia, Francisco, que era ex-marido da professora, teria sido o mandante do crime, cometido em meio a uma disputa judicial pela escola. Ainda na manhã de ontem, os investigadores também prenderam Ari dos Santos Júnior, acusado de participação no assassinato da vítima. Com ele foram apreendidas duas armas. Segundo a DH, a motivação do crime estaria na disputa entre Francisco com a ex-mulher e as filhas pela posse do imóvel da escola.

Rosemary foi morta a tiros na frente do colégio, situado na Rua da Liberdade, no dia 26 de janeiro de 2017, por dois criminosos que estavam numa motocicleta. Francisco, apontado e suspeito de ser o mandante, segundo a DH chegou a abrir uma escola nas imediações onde ocorreu o assassinato. No dia do crime, Rosemary se encontrava na porta da escola, junto com outras duas funcionárias, quando os assassinos chegaram numa motocicleta usando capacetes. Eles perguntaram pela proprietária da escola, mas a professora negou que ela estivesse presente. Em seguida, um dos criminosos sacou de uma pistola e disparou três vezes contra a vítima. Rosemary chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu.

Durante as investigações, a polícia apurou que Francisco tinha o costume efetuar disparos de pistola nos fundos do terreno de sua escola, na época em que a mesma estava em construção. Ao vasculharem o local, os agentes encontraram estojos deflagrados de munição no terreno. Depois de uma análise, ficou constatado que os estojos arrecadados pertenceriam ao mesmo lote das munições da cena do crime, outro forte indício que Francisco teria “encomendado” o crime. “Chegamos à autoria do crime porque recebemos informações de que Francisco treinava com uma pistola nos fundos do terreno da escola que ele estava construindo. Encontramos os estojos em meio ao concreto da obra e submetemos ao exame de confronto balístico. Concluímos que seria do mesmo lote das munições usadas contra a vítima. Érica é suspeita porque há registros de ameaças contra a vítima, e ela teria se beneficiado da morte. Testemunhas dizem que ela era amante de Francisco quando ele ainda era casado com a vítima” , explicou o delegado Allan Duarte, da DH.

Na ocasião do crime, não havia uma suspeita diferente de uma suposta ação promovida por traficantes. Uma pessoa ligada à família da vítima e que ajudou a socorrê-la chegou a afirmar: “Essa escola era o sonho dela, ela era muito trabalhadora, empenhada. Ela morava aqui no Marambaia, mas foi assaltada quatro vezes, por isso resolveu se mudar para Niterói, só que seu trabalho continuava aqui. Diferente das outras quatro vezes que conseguiu sair ilesa, dessa vez não teve jeito. Ela não tinha inimigo, não desconfio de ninguém”. Posteriormente ao crime, o então titular da DHNSG, delegado Fábio Barucke, passou então a declarar após o surgimento dos novos indícios: “Estamos apurando todas as hipóteses. Mas vamos ouvir algumas pessoas para entender também uma disputa judicial. Temos que identificar os criminosos que estavam na moto”.

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