Estudo sobre coronavírus no esgoto chega a 400 testes

O monitoramento do esgoto de Niterói, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para detectar a presença do coronavírus, atingiu a marca de 400 testes realizados. A fundação informou que o vírus foi encontrado em 80% a 90% dos pontos pesquisados em janeiro.

Apesar dos índices de casos e mortes e a taxa de ocupação de leitos hospitalares por Covid-19 na cidade terem caído, a detecção do coronavírus no esgoto permaneceu em patamares elevados. Os testes realizados na última semana de 2020 indicaram que 100% das amostras foram positivas. A carga viral média foi a segunda maior registrada desde o início do levantamento.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, Marize Pereira Miagostovich, o fato do estudo ter apontado que o esgoto de Niterói tem alta carga viral, em contraponto com os poucos casos registrados no município, indica uma necessidade da prefeitura tomar medidas como a ampliação de testes. Outro fator que pode ajudar a entender a circulação do vírus na cidade é o maior número de assintomáticos ou pessoas com doença leve que não procuram o serviço de saúde.

“A presença do vírus nas amostras aponta que ele está circulando na população. Mas a vigilância do esgoto deve ser sempre considerada como um indicador complementar, junto com outros dados relacionados à doença”, afirmou a chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Marize Pereira Miagostovich.

O objetivo do projeto da Fiocruz é mapear a transmissão do coronavírus em Niterói para, a partir do dos coletados, contribuir para ações de saúde pública e medidas de prevenção mais rápidas.

O monitoramento começou em abril, ainda no início da pandemia. À época, apenas 42% das amostras foram positivas. Entre maio e junho, período em que a Covid-19 atingiu o primeiro pico, a taxa ficou acima de 90%, chegando a alcançar 100% em algumas semanas. Foi verificada uma queda no índice a partir de julho, chegando a 50% no começo do agosto.

Entretanto, na última semana de agosto o índice voltou a subir e o vírus foi encontrado em 75% das amostras, consequência do relaxamento das medidas de distanciamento social. Em novembro foi registrado o segundo pico de casos. Neste período, os estudos voltaram a detectar o coronavírus entre 90% e 100% das amostras.

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