Estúdios de tatuagem registram aumento de clientes em 45% no inverno

Geovanne Mendes –

Conforme os termômetros vão subindo, muita gente aproveita para exibir todo o investimento feito em saúde, beleza e estética ao longo do ano. As tatuagens por exemplo, têm no inverno, o clima ideal para serem feitas e muitas chegam a custar R$ 3 mil.

De acordo com profissionais da área, o aumento do fluxo de clientes nos estúdios de ‘tattoo’ chega a 45%. Esse elevado número também faz refletir a preocupação de profissionais do setor e autoridades sanitárias sobre a qualidade dos materiais empregados e o uso de equipamentos descartáveis, para evitar contaminações de doenças graves como HIV e hepatite.

Tatuador profissional há quatro anos, Márcio de Araújo Valle Júnior trabalha junto com outros cinco tatuadores em um estúdio de Icaraí, na Zona Sul da cidade. Segundo ele, nessa época o trabalho aumenta porque as pessoas estão se preparando para a estação mais quente do ano.
“Vivemos em um país solar e as pessoas gostam de exibir os seus corpos e tatuagens. Por isso a demanda aqui aumenta em até 45%. São homens e mulheres e todos os tipos de desenhos possíveis”, comenta o tatuador.

Mas não é simplesmente escolher o desenho e se encaminhar para o primeiro tatuador que vê pela frente. Além dos cuidados pós-realização da tatoo, como, por exemplo fazer uso do protetor solar, o tatuador Alan Macintosh alerta para a escolha de profissionais que usem equipamentos descartáveis e o manuseio dos materiais utilizados no procedimento, como a tinta por exemplo.

“De acordo com a legislação brasileira, os equipamentos e tintas utilizados em tatuagem devem ser registrados na Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa). Antes de fazer qualquer tatuagem é importante cobrar do profissional responsável as informações referentes ao nome do produto que está sendo utilizado. Na embalagem do produto é obrigatória a apresentação do número de registro na Anvisa, bem como a identificação do fabricante e distribuidor”, comentou Alan.

RISCOS
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a tatuagem pode provocar alergias na pele e maior risco de infecção por bactérias, fungos e vírus, por tintas e agulhas contaminadas. Também pode transmitir doenças infecciosas como impetigo, vírus HIV e hepatite, entre outras. Além disso, há riscos no uso de produtos tóxicos cancerígenos aplicados na formulação de tintas.

Para o chef de cozinha Felipe Lino, de 30 anos, que já possui quatro desenhos pelo corpo, a tattoo é um estilo de vida e sempre que pode pensa o que fazer na próxima visita ao estúdio.

“Eu amo tatuagens, sempre estou imaginando o que posso fazer. Por enquanto só tenho quatro em meu corpo, mas a ideia é não parar por aí. Tatuar é algo viciante. A tatuagem teve evolução tão rápida e tomou tal magnitude que nos tempos atuais firmou-se como modismo”, concluiu enquanto terminava mais uma tattoo.

Convenção
Tatuadores se reuniram no fim do mês passado, na capital paulista, para a Tattoo Week, a maior convenção sobre o tema do país. Eles realizaram debates sobre a adoção de um protocolo de segurança de como sejam feitas tatuagens no país. A ideia é seguir o modelo europeu, em que o tatuador tem de registrar todas as informações referentes aos materiais utilizados, como agulhas e tinta, especificando o lote, data de validade e marca.

“Em um segundo momento, após o período de adaptação à realidade brasileira, queremos discutir a possibilidade de o Brasil também adotar um protocolo de trabalho, seja por meio de uma instrução normativa, seja por um projeto de lei”, afirmou a direção do evento.

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