Estudantes se unem pela juventude em São Gonçalo

Anderson Carvalho –

Eles poderiam estar só querendo saber de baile funk ou de festinhas com amigos, além da escola. Porém, preferem lutar pela juventude no município de São Gonçalo, um dos mais pobres do Estado do Rio e que oferece tão poucas opções ao segmento, seja na área cultural, esportiva, lazer ou no mercado de trabalho. Por isso, um grupo de 15 estudantes secundaristas gonçalenses criou no último dia 10 o Movimento da Juventude Gonçalense, uma entidade suprapartidária que visa lutar por melhor educação, saúde, empregos, esportes, acesso à cultura e segurança para os jovens da cidade.

O grupo vai percorrer os colégios da cidade, públicos e privados, para se apresentar e as suas propostas, além de incentivar a criação de grêmios estudantis onde não houver. “Fazíamos um trabalho de conscientização dos estudantes no Colégio Estadual Francisco de Paula Achilles, no bairro do Anaia Pequeno, no ano passado. Resolvemos, então, lutar pelos jovens de toda a cidade, dos 12 aos 29 anos. Estamos reivindicando junto a prefeitura a reabertura do Teatro Municipal, que foi concluído no final de 2016, mas, nunca inaugurado. Pedimos ainda a ocupação de espaços públicos com atividades voltadas aos jovens”, contou Claudionel Abreu, de 16 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio no Ciep 309 Zuzu Angel, no bairro do Arsenal. Ele é um dos idealizadores do grupo.

Evandro Ramos, de 18 anos, que concluiu no ano passado o Ensino Médio no C.E. Francisco de Paula Achilles e foi colega de Claudionel, também está engajado no movimento. “A conversa com o governo municipal é complicada. Tentamos algumas vezes marcar com o prefeito José Luiz Nanci, mas, na hora da audiência, ele não está ou encontra-se em alguma reunião. De políticos geralmente ouvimos promessas e tentativas de cooptação, além de quererem algo em troca. Não queremos isso”, lamentou o estudante, que pretende estudar nos Estados Unidos em 2019. “Na primeira sessão plenária deste ano na Câmara, só compareceram dois vereadores e nós. Nem o presidente, Diney Marins (PPS), compareceu”, lembrou Claudionel.

O movimento conversa ainda com a iniciativa privada local, em busca de estágio ou primeiro emprego à juventude. “A interlocução com os empresários está sendo mais fácil. Até mesmo para apoios futuros aos nossos projetos. Estamos tentando o uso do antigo Centro Pró-Melhoramentos do Anaia, para as nossas reuniões e atividades voltadas aos jovens”, informou Claudionel.

Sendo este um ano eleitoral, outra preocupação do movimento é conscientizar o segmento a votar em candidatos que tenham boas propostas aos jovens. “Estamos orientando os jovens a pesquisar a trajetória dos candidatos e o que eles já fizeram pela juventude. Estamos tentando convencer o pessoal a votar, mas, a maioria está desacreditada da política e não tem interesse. A consciência política da juventude está pobre”, contou Evandro.

O grupo quer ainda mais acesso à cultura. “Temos uma biblioteca municipal dentro do Centro Cultural Prefeito Joaquim Lavoura. Mas, é muito pequena. Está faltando cultura na nossa cidade. É preciso valorizar mais eventos como a Folia de Reis, por exemplo. Outro dia, quando fomos ao centro cultural da Câmara Municipal, a funcionária se espantou e disse que nunca tinha visto antes jovens naquele espaço”, comentou Claudionel.
O grupo por enquanto não tem sede. Usa uma sala cedida pelo C.E. Francisco de Paula Achilles para as reuniões, a cada 15 dias.

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