Estudantes de medicina querem aulas presenciais

Universitários do curso de medicina das faculdades federais do Rio reclamam sobre as aulas remotas. Os estudantes pedem o retorno das atividades presenciais do curso mais disputado nas universidades. Na próxima semana está marcada uma reunião com a direção da escola de medicina da Unirio e o diretório central de estudantes para tratar o caso. Além disso pedem a regularização do calendário acadêmico e a possibilidade de reposição das aulas perdidas durante as atividades exclusivamente remotas. O problema atinge também a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A diretora de relações estudantis do Diretório Acadêmico Benjamin Baptista (DABB) da Unirio, Maria Fernanda Lopes, explicou que o retorno das aulas presenciais vem se arrastando desde outubro do ano passado. O grupo já enviou cartas expondo esse problema para a Decania e para o Centro de Ciências Biológicas e Saúde, responsável pelo curso de medicina. O curso é integral e em março de 2020, início da pandemia do coronavírus, as aulas foram suspensas. Depois de alguns meses as aulas voltaram de modo remoto e ano passado, em junho, teve a liberação para o ensino híbrido, que não ocorreu desde então. “Queremos um planejamento de um retorno gradual. Em outubro passado nos mobilizamos para o planejamento para o nosso curso. Pelo menos sobre o modelo híbrido. Ele foi permitido e não executado e continuamos no remoto”, frisou.

Fernanda explicou que ingressou no curso durante a pandemia e esperava esse modelo de ensino, mas que está demorando muito para o retorno. “Esperava no início, em decorrência das evidências epidemiológica, um período de aulas remotas. Mas não esperava que fosse se estender tanto. As aulas no anatômico eu perdi. Quero trabalhar com cirurgia e é muito diferente de estudar pelo livro e pelo computador. Na prática é tudo diferente”, contou a estudante do segundo período.

A moradora da Zona Oeste, Ingrid Rosa de 22 anos, está indo para o quinto período na Unirio e também reclamou do tipo de ensino. “É um período de ter contato para ter uma troca e chega um momento que não podemos isso. Quero ter a sensação de estudar anatomia, sentir o corpo e as peças. Também vejo que os professores não atualizam as aulas. Acho que deveria ter mais cuidado e atenção ao conteúdo. Precisamos, de pelo menos, a reposição de aulas práticas. Tenho medo de não ter a experiência necessária para um atendimento de qualidade já que não estamos tendo formação para isso”, desabafou.

E não é só na Unirio que isso acontece. Na UFRJ os estudantes de medicina passam pela mesma problemática. A veterana Carolina Pace, de 21 anos, está terminando o 5º período e está com aula híbrida desde novembro passado. Mas o problema é sobre as aulas que foram remotas e já foram concluídas. “Sinto falta da aula presencial. Algumas matérias acho que as aulas teóricas podem ser online, porém as práticas precisam ser presenciais. Não existe medicina totalmente à distância. Para ser médico é obrigatório que você toque em pessoas e aprenda com pacientes de verdade. Acho que isso não é um problema da faculdade em si, mas do sistema educacional brasileiro que tem em sua maioria despreparo para o ensino online. As metodologias de ensino e estudo são antiquadas”, pontuou. Pace sinalizou que fez as aulas de Anatomia e Propedêutica e gostaria da reposição dessas de forma presencial.

A Unirio e UFRJ foram questionadas sobre os assuntos abordados nessa reportagem, mas não se manifestaram até o fechamento.

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