Estudante espancado passa por exames

Geovanne Mendes –

Na manhã desta segunda-feira (17) o estudante da UFF, Andrei Apolônio, que diz ter sido torturado por policiais civis da 81ª DP, em Itaipu, Região Oceânica de Niterói, foi acompanhado por diversos órgãos ligados à proteção dos direitos humanos e entidades de apoio à comunidade LGBT para a realização de exames da arcada dentária no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio.

As agressões com alto grau de violência, requintes de crueldade e que teriam sido motivadas por traços homofóbicos ocorreram na madrugada da última quinta-feira quando o jovem buscava por atendimento após ter o seu celular furtado dentro de um ônibus enquanto dormia a caminho de casa, por volta das 4 horas.

“Ele está com muito medo, pois o policial foi claro ao dizer que caso ele denunciasse o ocorrido iria descarregar um pente (munição) em cima dele. Ele está sendo mantido em um lugar reservado, não informaremos. Segundo relatos do Andrei, o policial focou o fato das agressões na sexualidade do rapaz. O tempo todo usava xingamentos homofóbicos. O policial disse que por ser gay, Andrei estaria querendo fazer ele trabalhar às quatro horas”, relatou a vereadora Taliria Petrone, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Niterói.

Andrei relatou à Comissão que foi agredido por um policial com tapas e socos que deixaram várias marcas no corpo e três dentes quebrados. Desde que as agressões aconteceram, ele está com medo de voltar para casa e sofrer represálias por ter denunciado o caso.

“Eu disse que queria um B.O. ele me puxou para dentro e me disse que eu teria então um B.O.”, destacou o estudante à comissão, que disse ter sido levado para uma sala dentro da delegacia.

Já sentado dentro de uma sala, o estudante relatou que o policial fazia questionamentos à sua sexualidade e que o motivo principal da ocorrência, o furto do celular, passou a não ter mais importância. Quando Andrei disse ao policial civil que não ali não era um local para brincadeiras e sim para registrar um roubo, o jovem começou a levar uma série de tapas, socos e pontapés. De acordo com as informações relatadas à comissão, o estudante conseguiu , em um descuido do policial, fugir da delegacia, mas foi capturado, pelo agente policial no estacionamento da 81ª DP.

“Precisamos dar a devida dimensão da gravidade desse caso. O Andrei entrou inteiro na unidade policial e saiu de lá todo machucado, por dentro e por fora. Houve um crime hediondo, de tortura e cárcere privado”, concluiu a vereadora.

Em nota a Comissão de Direitos Humanos da Alerj informou que a equipe da comissão acompanhou Andrei Apolonio Santos à Corregedoria Geral Unificada e no registro do boletim de ocorrência na Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol). Depois ele foi encaminhado para o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal e ao Hospital Carlos Tortelly, em Niterói, para a realização da perícia dentária. A UFF informou que se responsabilizará pela assistência jurídica, psicológica e odontológica de Andrei.

Já a Polícia Civil informou através da sua assessoria que as investigações estão em andamento na Corregedoria Interna (Coinpol) e está prevista para amanhã, às 14 horas, o reconhecimento dos policiais.

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