Estrelas das comunidades de São Gonçalo e Niterói

Raquel Morais –

O nome de batismo é Danilo de Oliveira Fortunato da Cunha mas na comunidade onde mora, no Anaia, em São Gonçalo é conhecido como ‘Jawy’. O adolescente, que completou 17 anos, é o retrato do esforço quando o assunto é acreditar na arte. Ele compõe e canta músicas de Rap que retratam a realidade dentro da comunidade onde nasceu e é criado, pela avó e pela tia.

Autodidata, ‘Jawy’ faz Rap desde os 13 anos e está prestes a lançar seu vídeoclipe nas redes sociais da música “Do topo da favela”. O single vai se juntar com outras dezenas de músicas já escritas pelo jovem compositor, que tem o sonho de viver da arte e ajudar sua comunidade. “Quero lançar essa música que fala a realidade e o que acontece dentro das favelas. Apesar de contar o que acontece lá dentro não é uma apologia ao crime, a minha ideia é retratar a verdade”, explicou.

O jovem, que sonha em fazer faculdade de Engenharia de Áudio e Produção Musical, mora com a avó e uma tia, mas mantém contato com os pais e os três irmãos. “Minha família e meus amigos ainda vão ter muito orgulho de mim. Quero fazer meu nome e ficar conhecido. Um pobre que mora na comunidade em São Gonçalo ser conhecido pela arte e não ‘pelas páginas de polícia’. Quero atingir o público onde eu moro e assim me tornar grandioso”, contou com a voz embargada.

SONHOS DA COMUNIDADE
O niteroiense Gabriel Santa Rosa de Souza, 19 anos, conhecido como ‘Jovem BlackSanta’, também sonha em mostrar seu talento para o mundo. Morador do Serrão, no Fonseca, em Niterói, ele conseguiu montar uma gravadora dentro da comunidade junto com os amigos Felipe Gonçalves, o ‘Efipe’ e Wanderson Silva, ‘Scarp’, ambos também com 19 anos. Batizada como ‘Gravadora Templo Label’ o local já produziu músicas dos artistas dentro e fora da comunidade. “Montamos tudo com materiais usados e que achamos no lixo. Foram pedaços de madeira, panos, cortinas e muitos materiais que muitas pessoas não viam uso. Na gravadora a gente faz tudo, desde a produção até a edição dos vídeos. Hoje em dia a produtora é o meu trabalho e eu consigo me sustentar. Acho que ainda tem muito preconceito com o Rap mas isso está melhorando com o passar dos anos”, pontuou.

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