Estelionatários se aproveitam da pandemia para aplicar golpes

Se por um lado a combinação da integração no policiamento e a adoção de medidas de distanciamento e isolamento social têm contribuído para a redução dos índices de violência em tempos de pandemia, por outro vem aumento, e muito, os registros de estelionato. Os últimos índices, referentes ao mês de junho, divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) deixou as autoridades em alerta, pois o aumento dessa modalidade de crime no Estado nunca foi tão elevado, chegando a 70%, passando a se tornar um dos maiores desafios das autoridades policiais no Rio.

“Nós verificamos com os números do mês de junho do ISP um aumento de 70% no Estado dos crimes de estelionato, comparado ao mesmo período do ano passado. Isso se deve pelo fato que com a pandemia, muitas pessoas deixaram de ir na rua e começaram a realizar as atividades negociais através do celular e dos computadores. Isso propiciou a ação dos criminosos através de mensagens virtuais”, afirmou a delegada Raíssa Celles, diretora do 4º Departamento de Policiamento de Área (DPA), que abrange a coordenação de DPs de Niterói, São Gonçalo, e Região dos Lagos.

Ela exemplificou dois tipos de golpes que aumentaram muito durante o período de pandemia, exatamente pelo fato das pessoas estarem evitando sair nas ruas. De acordo com seu relato, um dos golpes é o do “motoboy” e o outro, do “WhatsApp clonado”.

“No golpe do motoboy, a vítima recebe uma ligação que supostamente seria de uma agência bancária ou de uma operadora de cartões de crédito. Nessa ligação, os criminosos afirmam que estão sendo realizadas compras de alto valor com o cartão da vítima, e esta imediatamente diz que não está realizando compras. Então eles dizem para que essas compras não sejam aceitas, pedem a informação de dados pessoais, como senhas do cartão, e número de CPF para evitar o pagamento. E a vítima informa. Depois disso, eles dizem que será necessário que a vítima entregue o cartão. E como as agências bancárias praticamente não estão em funcionamento, visando evitar aglomerações, os criminosos avisam que o motoboy irá até a residência da vítima para recolher o cartão. E, alegando que é para segurança, a pessoa deve cortar o cartão ao meio, o que inviabilizaria o uso do mesmo. A pessoa, acreditando que está tomando a medida certa, entrega o cartão para o golpista, sem perceber que o chip ficou intacto, e isso favorece o uso do cartão em diversos estabelecimentos”, explicou.

Danos financeiros e psicológicos

De acordo com a delegada, esses golpes causam não só o prejuízo financeiro para as vítimas, mas também o emocional, ressaltando que já verificou que muitas pessoas deixam de contar o fato para seus parentes, amigos, ou se dirigirem a uma delegacia por vergonha. Ela afirma que não precisa a pessoa se envergonhar. Raíssa lembra que, como diz o nome, “você é a “vítima”, e deve procurar a polícia, que está preparada para auxiliar com a investigação para se chegar a autoria desses crimes.

“No golpe do WhatsApp clonado, pessoas que fazem anúncio de venda de algum bem em sites de negociação pela internet. O golpista fica observando esses sites. Quando percebe que alguém colocou um anúncio, eles mandam uma mensagem pelo WhatsApp para esse telefone, alegando que para seu anúncio seja concretizado, a vítima precisa informar uma senha de acesso. Na verdade, essa senha é uma autenticação do WhatsApp, e quando você fornece isso para um golpista, permite que ele faça a clonagem do seu número. E a partir daí, ele começa a mandar mensagens para seus amigos, porque ele tem acesso à agenda. Começa a enviar mensagens, se passando pela vítima, pedindo dinheiro emprestado, pedindo depósito (geralmente de pequenas quantias) em contas correntes, porque facilita que a pessoa tenha disponibilidade desse dinheiro, causando prejuízo”, enumerou.

De acordo com Raíssa Celles, a Polícia Civil está disponibilizando uma cartilha onde são relatados esses e outros golpes mais frequentes, com objetivo que a população tome conhecimento como eles estão sendo praticados. Dessa forma a pessoa terá a chance de identificar a ocorrência. O material também traz dicas de prevenção.

“A maioria das vítimas é de idosos, que têm a capacidade cognitiva reduzida em razão da idade. Esses criminosos são capazes de iludir qualquer pessoa, porque eles usam métodos de convencimento que te fazem acreditar na veracidade da história que te contam. Portanto, não há motivos para se envergonhar. Tem que comunicar o fato na delegacia, para que a investigação possa ser realizada e assim evitar que outras pessoas sejam lesadas”, concluiu a delegada.

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