Estado sofre com surto de conjuntivite nesse verão

Raquel Morais –

O Instituto Brasileiro de Oftalmologia (Ibol) confirmou o surto de conjuntivite que afeta o Rio de Janeiro, apesar da Secretaria de Estado de Saúde (SES) não se posicionar sobre o assunto, já que a notificação da doença não é obrigatória. Mas em São Gonçalo e Niterói o aumento na demanda com sintomas da doença está expressivo. Especialistas reforçam a importância do cuidado com esse problema, que é do tipo viral e contagioso.

A Secretaria de Saúde de São Gonçalo informou que está recebendo, em média, 100 pacientes ao dia no Pronto Socorro Central e 50 pacientes ao dia em cada unidade municipal de Pronto Atendimento (Nova Cidade e Pacheco). Em Maricá, 50 casos da doença são diagnosticados diariamente na emergência do Hospital Conde Modesto Leal e que os relatos se intensificaram após o Carnaval. A Secretaria de Saúde informou que cerca de 1000 casos já foram diagnosticados na cidade. A Prefeitura de Niterói não se manifestou sobre o assunto. Já a administração municipal de Itaboraí disse não possuir o quantitativo de atendimentos sobre a doença.

O professor universitário Gutenberg Barbosa, de 55 anos, está com conjuntivite desde o final de semana. “Após dar aula eu senti minha vista doendo. Estava dirigindo quando vi que meu olho estava vermelho e daí em diante só piorou. A vista coça, arde, lacrimeja, sai secreção e ainda tem uma sensação de areia. É muito desconfortável e ainda tenho que ficar, no mínimo, uma semana sem trabalhar para não passar a doença para ninguém. Estou usando colírio, fazendo compressa com algodão com água gelada e limpando os olhos com lenço de papel bem fino”, relatou.
O farmacêutico Ricardo de Sena trabalha em uma drogaria em Icaraí e confirmou o aumento da procura por medicamentos para curar a conjuntivite nas últimas semanas. Colírio, que não precisa de receita, e soro fisiológico estão sendo muito vendidos para quem quer minimizar o desconforto dos sintomas da doença.

O chefe da emergência do Ibol, Aníbal Cunha, se manifestou nas redes sociais, dizendo que: ‘a prefeitura do Rio de Janeiro nega, mas a cidade está enfrentando um surto de conjuntivite, doença viral que atinge todas as idades, especialmente os idosos. Os casos da doença que causa irritação na vista aumentam normalmente no verão em todo o país. (…) No Rio, clínicas, consultórios e redes públicas confirmam o aumento no atendimento. O surto atual é do tipo enterovírus, totalmente diferente da conjuntivite dos anos anteriores. (…) O grande número de pessoas de outros estados que já estavam com a doença no período do Carnaval certamente contribuiu para o surto’.

“Uma superfície ou um objeto contaminado, um aperto de mão, o compartilhamento de toalhas e fronhas já são suficientes para propagar a doença. A atenção deve ser redobrada desde os primeiros sintomas para evitar complicações”, concluiu a oftalmologista Patrícia Martins, do Hospital Icaraí. De acordo com a especialista, a conjuntivite viral causa desconforto nos olhos e tem duração de sete a 15 dias. É prevalente no verão, mas ocorre também no inverno, pois há maior disseminação do vírus em ambientes fechados como creches, colégios e transportes coletivos.

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