Estado e MS usam dados defasados do IBGE e prejudicam vacinação de Covid-19 em Maricá

A prefeitura de Maricá disse que a imunização na cidade poderia estar mais avançada caso os responsáveis por distribuírem as doses, tivessem levado em conta os pedidos enviados pelo município pedindo a reconsideração do quantitativo da população. Com isso a cidade está recebendo a quantidade de doses incompatível com as necessidades e com a estatística correta.

O critério segue o Censo de 2010, o que não levaria em consideração nem o forte e visível crescimento da cidade nem as próprias atualizações feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelo levantamento de 2010 que vem balizando as remessas de vacinas, Maricá possuía 127.461 habitantes, número que foi atualizado pelo IBGE em 2015 para 143 mil habitantes e novamente para 164.500 habitantes em 2020. A informação é oficial e consta no próprio site do instituto.

Por conta desses dados defasados, na terça-feira (1) Maricá recebeu um lote com apenas 140 doses de Coronavac. Segundo a Secretaria de Saúde, o quantitativo é tão baixo que servirá apenas para aplicar a segunda dose em gestantes.

“Nas últimas remessas do mesmo imunizante, o mesmo aconteceu. No início de maio, o estado havia recebido 90 mil doses de Coronavac do Ministério da Saúde, mas só 640 chegaram aos braços dos maricaenses. No dia 18 de maio, a desproporção foi igual: o MS teria pedido o quantitativo ao estado, este solicitou 171 mil doses, recebeu quase 180 mil e só destinou 3.320 doses à cidade, que precisava de 4.500 para zerar a demanda pela segunda aplicação. Desta vez, o estado recebeu do MS cerca de 10 mil doses de Coronavac e novamente destinou pouco mais de 1% para Maricá. No total, desembarcaram no estado nesta última leva 224.570 doses de três imunizantes. Além do quantitativo da vacina do Butantan, vieram 53.820 doses da Pfizer, nenhuma enviada à cidade, e 160.750 doses da vacina AstraZeneca, das quais 3.980 doses foram destinadas a Maricá no sábado (29/05)”, diz prefeitura.

“É possível observar que essa estratégia empregada pelo Ministério da Saúde, e seguida pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio, tem se mostrado ineficaz quando se trata de Maricá. Isso é algo que estamos cobrando desde o começo e até hoje temos sido ignorados”, cobra a secretária de Saúde, Simone Costa e Silva.

DISTRIBUIÇÃO DA VACINA PFIZER SEM RESPOSTA

Segundo a prefeitura, o imunizante exige condições especiais de armazenamento que só a capital, Maricá e Nova Iguaçu possuem. Então o município pleiteou o envio de doses do imunizante para guarda e consumo na cidade em ofício enviado ao estado no dia 29 de abril. Não só não houve resposta como no dia 24de maio a Secretaria Estadual de Saúde destinou o imunizante Pfizer/Biontech a outros 19 municípios com 150 mil habitantes ou mais (pelo censo de 2010) e estão até duas horas e meia da capital, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria Estadual de Saúde. Maricá, além de ficar a pouco mais de uma hora de distância da capital, teria 14 mil habitantes a mais do que o mínimo necessário pelo dado atualizado do IBGE.

VACINAÇÃO CONTRA INFLUENZA PREJUDICADA POR FALTA DE DOSES

O número de idosos cadastrados para a vacinação da Influenza cresceu em 61% ( de 18 mil para 29 mil cadastrados) desde a campanha do último ano. O subdimensionamento é maior quando comparado o grupo de idosos das faixas etárias abaixo de 75 anos. De acordo com Ministério da Saúde o município tem 56,4% de idosos entre 60 e 75 anos, sendo que Maricá tem 22.232 cadastrados e o Ministério da Saúde aponta 12.559. Com isso, no mês de abril faltaram vacinas para 43,6% desse grupo prioritário. Quando analisada somente a faixa de 60 a 65 anos, essa divergência chega a 109,7% (8.976 cadastrados para 4.280 dimensionados pelo MS).

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